Experiência com Deus do tipo “De Volta Para o Futuro”…

Quero compartilhar com vocês uma experiência que tive com Deus nesse último feriado e que chamo do tipo “De volta para o Futuro”. Sabe quando estamos desanimados, cansados e Deus nos dá o privilégio de ver um pouquinho do que seria o nosso futuro ou dos frutos que poderemos colher? Ainda está muito confuso, muito abstrato? Então vamos aos fatos.

Meu marido e eu pegamos  um vôo de São Paulo para Santiago no Chile na última sexta-feira, dia 11/11 com um grupo de amigos dele para passar 4 dias no Chile. O objetivo era um treinamento e clínica de natação em Algarrobo,  pequena localidade, conhecida por possuir a maior piscina do mundo, com 1km de extensão. Algo incrível e lindo, como a foto mostra.

Nos sentamos numa fileira de 3 poltronas. Eu na janela, meu marido no meio e um rapaz, que deveria ter cerca de 30 anos, na poltrona do corredor. A viagem é de 4 horas de duração e dormi quase toda a primeira metade desse tempo. Foi mais ou menos nesse ponto da viagem, que meu marido começou a conversar com o rapaz, que lhe contou que era americano e estava morando em Santiago há 9 meses. Ele disse que morava perto de Chicago e que havia sido transferido pela empresa para Santiago. Meu marido lhe disse que eu já havia visitado Chicago vezes e foi aí que eu entrei na conversa.

O rapaz me perguntou por que eu havia estado tantas vezes em Chicago e eu lhe disse que havia ido 2 vezes a passeio e outras para conferências. Ele então me perguntou que tipo de conferências e com certo receio de iniciar uma discussão sobre religião dentro de um avião pequeno e lotado, lhe respondi que eram conferências de igreja. E ele me perguntou que tipo de trabalho eu fazia e eu respondi que era uma espécie de líder de adolescentes e pré-adolescentes ou uma “youth minister”. Para minha grande surpresa, o rapaz deu um largo sorriso, e disse: “Que legal! Que trabalho maravilhoso você tem!”

Mesmo não querendo ser uma desmancha prazeres tive que contar a ele o lado não tão legal do meu trabalho. Disse a ele que havia sido demitida do meu trabalho há cerca de 1 ano, pois a igreja em que trabalhava precisou fazer cortes e o ministério escolhido para isso foi o de pré-adolescentes e adolescentes; que esse ministério é considerado um ministério de segunda classe ou não prioritário pela maioria das igrejas brasileiras; que as editoras brasileiras também quase não investem nesse segmento e terminei dando a ele uma visão geral da luta que é ser uma mulher no ministério no Brasil, especialmente em algumas denominações.

Ao final do meu triste monólogo o sorriso dele havia desaparecido e muito emocionado, ele me olhou e disse que sentia muito, porque o ministério de adolescentes de uma igreja em Cleveland, Ohio, havia mudado a vida dele. Emocionado, aquele rapaz começou a me contar como conheceu a Cristo através desse ministério. Ele me disse que seus pais não eram cristãos e que quando ele era apenas um pré-adolescente, um amigo o convidou para ir à uma reunião dos pré-adolescentes da igreja dele. Ele falou sobre o impacto que o líder daquele grupo teve na vida dele. Lembrou do seu pequeno grupo, dos estudos bíblicos e do apoio que recebeu deles até sua entrada na Faculdade. Também falou das primeiras viagens missionárias que participou ainda adolescente, junto com outros adultos da igreja e como isso influenciou sua vida cristã. Ele me disse que conhecer a Cristo nessa idade e poder fazer parte de um grupo de jovens cristãos fez toda a diferença em sua vida, para que ele pudesse enfrentar as barras que teve que enfrentar na Faculdade, no primeiro emprego em outro estado, no casamento e agora na mudança de país.

Eu disse a ele que meu sonho é ver um ministério de adolescentes que transforme vidas em cada igreja brasileira. Que eu sei da importância que os Pequenos Grupos, as Viagens Missionárias e a liderança, o cuidado e o exemplo de cristãos adultos tem na vida das Novas Gerações, mas que as dificuldades são muitas e as ferramentas que tenho são poucas. Contei a ele sobre o blog e sobre alguns planos futuros, mas também lhe falei do desânimo que às vezes se abate sobre mim. Mais uma vez sorrindo ele me disse: “Não desista! Esse trabalho é muito importante e eu acredito que se Deus lhe deu essa visão e essa paixão, ele vai realizar muitas coisas através de você. Eu sou uma prova da diferença que um ministério de adolescentes pode fazer na vida de um jovem e poderia lhe contar sobre outros amigos meus que tiveram a mesma experiência. Eu não sei onde estaria agora, se não tivesse conhecido Jesus na minha adolescência.”

E o avião começou a iniciar sua descida. Deus havia aberto a cortininha do futuro, como eu gosto de dizer, por alguns minutos, para que eu pudesse dar uma olhada no possível futuro que o Ministério de Adolescentes pode ter. Deus não precisou do DeLorean do Dr. Brown, mas me colocou num vôo de São Paulo para Santiago, sentada quase ao lado de um rapaz americano, que nasceu em Ohio, conheceu a Cristo num ministério de adolescentes de uma igreja em Cleveland, trabalhou em Illinois, foi transferido para Santiago e passou a semana passada trabalhando em São Paulo.

Pensem que daqui há 15 ou 20 anos, aquele rapaz pode ser um dos adolescentes do seu grupo. Afinal estamos no “ramo” de transformação de vidas, através de um relacionamento com Jesus. Esse pensamento me deu novo animo e as palavras do profeta Isaías vieram à minha mente: “mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam bem alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam.” Is 40:31

Saí do avião como águia.

O Que os Adolescentes Pensam de Jesus?

Você já pensou nisso? Já perguntou para os adolescentes do seu ministério, da sua igreja ou da sua família o que eles pensam de Jesus? Ou como eles definiriam ou descreveriam Jesus? Essas perguntas que parecem ter respostas tão óbvias podem nos surpreender de uma forma estranha. Foi isso que Rick Lawrence descobriu quando decidiu fazer uma pesquisa com adolescentes espalhados por todos os Estados Unidos. Equipes munidas de microfones e câmeras foram encarregadas de abordar adolescentes aos acaso pelas ruas do país e perguntar: “Como você descreveria Jesus?” E a palavra ou expressão mais usada para descrevê-lo foi “bom” ou “gente boa” e outras respostas como um “cara legal”, “uma pessoa amigável” e “alguém muito bom”. Essa experiência deixou Rick tão intrigado que foi uma das motivações para que ele escrevesse seu livro “Jesus Centered Youth Ministry”, infelizmente ainda sem tradução em português.

Creio que se fizéssemos essa experiência entre os nossos adolescentes obteríamos um resultado parecido. Sim, é inegável que Jesus é bom, mas essa não é a característica marcante dele. Mesmo quando realizava seus milagres e mostrava toda a sua bondade, Jesus mostrava o quão incrível e único ele é. Será que quando os adolescentes lêem sobre seus milagres, eles tem a dimensão disso? Esse vídeo feito pela BBC e com efeitos do tipo que o filme “Matrix” lançou e que hoje está tão popular talvez os ajude a ver que Jesus era extraordinário, incrível, fantástico e não apenas “bom”:

Quando leio sobre essa descrição que eles tem de Jesus, logo me lembro do texto de Mateus 21:12-13, quando Jesus entra no templo derrubando mesas e cadeiras dos mercadores e os chama de ladrões. Será que alguém ali achou Jesus bonzinho? Isso para não falar da sua famosa conversa com Pedro quando ele repreende Pedro dizendo “Para trás de mim, Satanás!” Mt 16:23

E o que dizer dos encontros de Jesus com os fariseus? Ele os chamou de hipócritas, serpentes, víboras, sepulcros caiados entre outras ofensas e os lembrava que estavam condenados a irem para o inferno. Claro que não podemos nos esquecer do famoso jantar relatado em Lucas 11:37-54 quando Jesus é convidado a jantar na casa de um fariseu e quando o jantar começa, a coisa mais suave que ele diz aos fariseus é “insensatos”. E quando um mestre da lei tenta interromper e diz que assim ele está ofendendo a todos, Jesus começa a falar diretamente para esse grupo e não poupa palavras, ou melhor ofensas. Será que alguém naquele jantar achou Jesus “bom”?

Aquela estranha conversa com Pedro antes da crucificação Lc 22: 31,32, quando Jesus diz a Pedro que Satanás pediu para peneirá-lo como trigo e Jesus diz que orou por ele. O que seus adolescentes pensam ao lerem essa passagem? Eu penso: “Como assim, mestre? O Senhor orou? O Senhor não disse para ele que não vai deixar ele me peneirar como trigo?” Será que Jesus parece bom aqui?

E o que dizer de Jesus que morreu na cruz por nós, pelos nossos adolescentes? Ele fez isso porque era bom? Não, ninguém é bom o suficiente para fazer algo assim por pessoas que nem sequer merecem isso. Jesus fez isso porque era o Filho de Deus enviado para nos salvar de uma condenação eterna. Ele fez por amor, pelo amor inexplicável e imensurável de Deus por nós. Ele morreu e ressuscitou porque era o próprio Deus feito homem! Uma coisa muito louca, como diriam nossos adolescentes.

Disse no começo que acreditava que se fizéssemos a mesma experiência que meu amigo Rick fez nos EUA com adolescentes brasileiros, obteríamos o mesmo resultado e explico porque. É muito raro ver adolescentes entregando suas vidas para Jesus como Senhor e não apenas como Salvador. E mais raro ainda vê-los dispostos a seguir por essa difícil e perigosa fase da adolescência com Jesus. Dificilmente vemos adolescentes que tem Jesus como centro de sua vida, que falam de sua experiência com ele apaixonadamente para seus amigos e que trazem seus amigos para Jesus por causa disso.

Não estou falando aqui de pequenos fanáticos religiosos, programados para fazer parte de um exército de religiosos que se isolam do mundo real e vivem nos limites do muro da igreja. Estou falando de adolescentes reais, que freqüentam a escola, o shopping, o cinema, os shows das bandas da moda, assistem TV, navegam na Internet, estão nas redes sociais e estão expostos a todo tipo de perigo desses tempos como álcool, droga, pornografia, sexo fora do casamento e um novo perigo que surge a cada dia. São esses adolescentes reais que precisam ter um relacionamento com um Jesus real que pode andar ao lado deles como Senhor nessa fase tão crítica.

Jesus é radical, incrível, vai contra a cultura, uma coisa muita louca, como eles mesmos diriam. Não é uma figura da renascença pálida e bondosa, mas um verdadeiro revolucionário, que com 12 homens que a sociedade da época rotularia de comuns à escória, mostrou Deus aos homens e mudou a nossa história com Deus. Jesus é Jesus, não é “O Cara”, “O Brother” e outros nomes mais que reduzem sua grandeza e majestade. Jesus é o Filho de Deus e viver uma vida tendo ele como Senhor é uma aventura radical. Mas será que nossos adolescentes já entenderam isso?

Por isso quero deixar duas perguntas para vocês líderes ou pais de pré-adolescentes ou adolescentes:

  1. Qual é o tipo de relacionamento que os seus adolescentes tem com Jesus?
  2. Como você tem apresentado Jesus para seus adolescentes?