O Que Aprendemos com Paulo e com a Revista Veja

As edições da semana passada das revistas Veja e Veja São Paulo nos dão uma boa ajuda para colocar em prática o que aprendemos com o apóstolo Paulo em Atos 17. Confesso que esse sempre foi um dos meus capítulos preferidos do livro de Atos e quando tive a oportunidade de visitar o Areópago, em 2009, fiquei imaginando a cena descrita em Atos 17: 19-34 quando Paulo fala aos atenienses sobre o DEUS DESCONHECIDO para apresentar-lhes o Evangelho. Paulo conhecia muito bem as Escrituras, pois havia estudado com Gamaliel, o mais famoso rabino do primeiro século e conhecia as Boas Novas do Evangelho de Jesus Cristo como poucos. Ele não só conhecia, mas vivia a Palavra de Deus no seu dia a dia e isso lhe dava autoridade para pode falar.

Mas Paulo também conhecia as pessoas para quem ia falar. Se voltarmos um pouco no texto veremos que “Enquanto esperava por eles em Atenas, Paulo ficou profundamente indignado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos. Atos 17:16. E na sua fala ele cita o que alguns poetas gregos escreviam. Paulo conhecia a cultura daquele povo, como pensavam, o que eles liam, no que criam e ouviam.

Paulo nos ensina que para falarmos do Evangelho precisamos nos aprofundar :

  • Na Bíblia
  • Na cultura do povo para quem falamos.

E é nesse último item que a Revista Veja nos deu uma enorme ajuda. Em seu livro Engaging The Soul of Youth Culture: Bridging Teen Worldviews To Christian Truth, o Dr. Walt Mueller diz que a cultura jovem é um caldo no qual nossos adolescentes e jovens estão mergulhados constantemente, mas que os ingredientes desse caldo mudam numa velocidade cada vez maior. Por isso se queremos nos comunicar com eles, precisamos freqüentemente “abrir a tampa da panela” para saber o que esse caldo contem. E na última semana, a Veja destampou a panela para nós.

Na sua reportagem de capa, ela fala do Facebook e da força que essa ferramenta de mídia tem, principalmente entre os mais jovens. Ela até dá um manual básico para quem não entende nada de FB. Se você ainda não se deu conta, é na Internet que boa parte da “vida” dos nossos adolescentes acontece e precisamos saber como eles “vivem” ali. Alguns deles até curtem o Twitter, mas com certeza, o Facebook e o Youtube estão entre os seus preferidos. Talvez você também viva nesse mundo da Internet e seja fácil para você interagir nesse meio, mas você ser alguém como eu que já está na faixa dos “enta”, tudo fica um pouco mais difícil e para alguns até chato. A verdade é que você não tem escolha: você vai ter que conhecer o que se passa nesse mundo, assistir os vídeos que já tiveram milhões de acessos e saber quem é a Luiza, mesmo que ela já tenha voltado do Canadá.

Claro que você não precisa virar fã do Michel Teló, mas tem que saber o que ele canta (sim, eles acham que aquilo é música) e conhecer a coreografia que está se espalhando pelo mundo. E por falar em Michel Teló, discutir a letra e coreografia da música com seus adolescentes pode ser uma boa idéia para começar um papo sobre comportamento e sexualidade. Mas confesso que já tive vontade de “pegar” o Michel para mandar ele parar de cantar tanta bobagem…

E a Revista Veja São Paulo nos presenteou com uma pesquisa feita com estudantes paulistanos de 13 a 18 mostrando o que eles pensam sobre ensino, internet, drogas, bullying e futuro profissional. Infelizmente é raro termos no Brasil um material como esse, por isso ele se torna tão precioso para que possamos conhecer cada vez melhor nossos adolescentes. Pesquisas como essa são de grande ajuda para quem trabalha com adolescentes, por isso, sempre que você se deparar com um material assim, agarre-o. Também faça pesquisas com seus adolescentes, mas cuidado com os exageros. Costumávamos aplicar muitas pesquisas entre nossos pré-adolescente e adolescentes e isso nos ajudava muito. Mas não posso esquecer de uma vez em que numa questão em que eles tinham que listar as três coisa que menos gostavam no ministério de uma lista com itens como: louvor, estudo bíblico, acampamento, pequeno grupo, recepção e outros. Tivemos uma resposta interessante: uma garota assinalou o item “outros” e explicou: responder pesquisas!

De qualquer forma lembre-se que é muito importante conhecer, como Paulo fez, as pessoas para quem você vai falar da Palavra de Deus. A série “Crepúsculo” está longe de ser uma das minhas favoritas e confundo os episódios, mas sacrificialmente assisti a todos os filmes. Não curto a MTV, mas me obrigo a olhar sua grade de programação e ver o que está bombando entre a galera. Abomino o BBB, mas procuro acompanhar o que acontece nessa praga da TV brasileira pela Internet. O mesmo vale para as novelas e séries que essa galera curte.

E é sempre bom lembrar as palavras sábias de Francis Schaeffer, que quando perguntado sobre o que faria se tivesse apenas 1 hora para falar do Evangelho para uma pessoa que acabasse de conhecer, respondeu que passaria os primeiros 55 minutos fazendo perguntas e tentando conhecer essa pessoa, para só depois falar da simples mensagem do Evangelho.

Quero terminar com um conselho. Conheça tudo sobre eles e o que eles vivem, mas não tente se tornar um deles, pois isso será tão falso como uma nota de R$ 15,00 e eles percebem imediatamente. Além de você correr o risco de ficar parecido com algo assim:

E você, já sabe como está o “caldo” dos seus adolescentes? 

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