O Impacto da Família Sobre Crianças e Adolescentes

O conceito de família tem mudado muito nas duas últimas décadas. A família nuclear, criada por Deus e constituída de pai, mãe e filhos parece estar fora de moda ou desatualizada.

A família é a fonte primária de estabilidade relacional e emocional para o desenvolvimento sadio da criança. Por isso deveria ser uma instituição estável dedicada à proteção e ao desenvolvimento dos mais jovens, onde eles recebem os valores que os acompanharão pela vida.  Infelizmente hoje, vemos adultos que consideram que essas mudanças e os relacionamentos instáveis se justificam pela busca da felicidade individual. Mas eles se esquecem das consequências que tudo isso traz para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. E as consequências são significativas ou até devastadoras para a psique, os relacionamentos e visão de mundo de crianças e adolescentes.

E para piorar um pouco, o que vemos hoje e que estudos recentes comprovam, é que muitos pais não sabem mais como ser pais e crianças e adolescentes precisam de pais. Com medo de se tornarem os pais autoritários do passado, os pais começaram a abrir mão de sua autoridade e começaram a delegar essa autoridade aos filhos. Mas os filhos não estão preparados para isso. Crianças e adolescentes ainda não internalizaram regras e padrões e não tem um bom controle sobre suas emoções e comportamento. Eles precisam receber isso dos pais ou dos adultos responsáveis por eles.

Em seu livro “Ties That Stress: The New Family Imbalance” , o Dr.David Elkind, diz que: “Quando nós tentamos ser amigos de nossos filhos ao invés de pais, nós os privamos da fonte mais importante de regras internas, padrões, controle e limites”

É incrível ver que o mesmo que o Dr. Elkind nos diz hoje, as Escrituras Sagradas já nos diziam de outra forma há muito tempo:

Quem se nega a castigar seu filho não o ama; quem o ama não hesita em discipliná-lo. 
Provérbios 13:24

Não podemos nos esquecer de que hoje crianças e adolescentes enfrentam um ambiente extremamente hostil, com inversão de valores, falta de estrutura familiar e onde nada é absoluto e seguro, mas tudo é relativo e a insegurança é total.

Além disso, vivemos num mundo em constante mudança. E essas mudanças: famílias desfeitas, acesso a todo e qualquer tipo de informação, estimulação precoce da sexualidade, excesso de liberdade e falta de limites causam um dano maior às novas gerações.

O Dr. Clark Chapman do Fuller Theological Seminary, diz em seu livro Hurt 2.0que a geração de adolescentes de hoje sofre de abandono. 

Essa situação de não ter uma autoridade maior sobre eles é interpretada como abandono. Na verdade eles se sentem abandonados, sós, como se ninguém se importasse com eles.

Os pais ainda são uma grande influência para seus filhos e quanto mais presentes forem, mais forte será essa influência. A Bíblia nos diz e os estudos recentes comprovam que a escola mais importante que uma criança pode frequentar é o seu lar. E os professores de teologia que terão mais influencia na vida de uma criança são seus pais.

Entretanto, a tarefa de pais não é uma corrida de curta distância ou de velocidade, é uma MARATONA. Pais tem que construir com seus filhos um relacionamento de confiança mútua e isso leva tempo. E para isso, os pais precisam, além de amar incondicionalmente os filhos:

  • Entender os filhos e mundo em que eles vivem
  • Dar a eles segurança com limites claros e ao mesmo tempo permitir que eles se desenvolvam.

É isso mesmo, pais precisam ao mesmo tempo entender os filhos e estabelecer limites seguros e flexíveis ou negociáveis para que eles possam se desenvolver, crescer, relacionar-se com os outros e fazer escolhas importantes. E tudo isso precisa acontecer debaixo da clara liderança dos pais.

Não sei no que você pensa ao ler tudo isso, mas a primeira vez que peguei pensando nisso uma imagem veio imediatamente à minha mente:

A tarefa dos pais é uma maratona equilibrando vários pratos e de porcelana fina e cara. Claro que isso demanda tempo, paciência e sabedoria que vem de Deus e de sua Palavra. E a igreja local, como instituição que pode ter um impacto significativo sobre a família, precisa estar atenta às mudanças e necessidades das famílias. A igreja não pode e não deve assumir o lugar dos pais, mas pode auxiliá-los e muito nessa maratona.

Posso dizer que minha experiência como mãe me mostrou que a tarefa é difícil, mas não é impossível. Ainda não cruzei a linha de chegada, pois sei que essa é uma corrida para a vida toda. Com inevitáveis pratos quebrados no caminho, vamos conseguido alcançar esse equilíbrio que tanto queremos. E vemos que nossos filhos se tornam adultos mais fortes,  saudáveis e independentes.

Isso vale todo o esforço dessa maratona.

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