Que Evangelho Estamos Ensinando para os Adolescentes?

garotinho e Bíblia

Foto: Freedigitalphotos.net

almost-Christian-bookComo já havia dito aqui no blog, vou compartilhar com vocês o que estou lendo e aprendendo nesse semestre. E o primeiro livro que li foi o “Almost Christian: What the Faith of Our Teenagers is Telling the American Church”  ou “Quase Cristãos: O Que a Fé dos Nossos Adolescentes está Dizendo para a Igreja Americana” da Kenda Creasy Dean. E logo no início do livro, a autora cita uma frase de John Wesley de 1741, que diz: “A Igreja está cheia de quase cristãos que não tem uma caminhada com Cristo.”

Sei que alguns podem ter críticas quanto ao conteúdo do livro para nós aqui no Brasil, pois ele foi baseado em dados do National Study of Youth and Religion (NSYR), que foi feito com adolescentes americanos. Mas a realidade é que a cultura adolescente ou cultura teen está muito globalizada e os adolescentes brasileiros dos grandes centros tem muitas semelhanças com os adolescentes americanos.

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Em resumo, o livro nos mostra dados que nos fazem refletir sobre qual é mensagem que estamos ensinando aos adolescentes. Kendra nos lembra que a fé dos adolescentes é um reflexo da fé de seus pais e por extensão, de suas igrejas. E a resposta que mais intrigou pesquisadores e a própria autora é que a igreja não é tão importante para os adolescentes cristãos evangélicos, católicos e judeus. Além disso, todos acham que “Deus é bom e legal” e os cristãos definem Jesus como “um cara legal”. Para eles a religião parece ser uma coisa boa, mas o relacionamento deles com Deus é tão profundo quanto um pires.

Baseados nisso, dois pesquisadores americanos, Christian Smith e Melinda Denton, concluíram que isso é resultado do que a igreja de hoje vive e ensina, e que eles denominaram de: Deísmo Moralista Terapêutico. O Deísmo Moralista Terapêutico foi aos poucos substituindo o verdadeiro Evangelho de Cristo.

O Deísmo Moralista Terapêutico diz que:

  1. Existe um deus que criou e comanda o mundo e observa a vida na Terra.
  2. Deus quer que as pessoas sejam boas, legais e justas umas com as outras, como a Bíblia e a maioria das religiões ensina.
  3. O principal objetivo na vida é ser feliz e se sentir bem.
  4. Deus não está envolvido na minha vida, exceto quando eu preciso de Deus para resolver um problema.
  5. Pessoas boas vão para o céu quando morrem.

Qualquer semelhança da fé dos adolescentes da igreja com o Deísmo Moralista Terapêutico não é mera coincidência, mas é a triste realidade. Mas não se desespere, embora eu tenha ficado muito desanimada com essa conclusão. A boa notícia é que a longo prazo, o Deísmo Moralista Terapêutico não preenche o lugar do verdadeiro relacionamento com Deus na vida dos adolescentes. E eles estão abertos para conhecer o Evangelho de Jesus Cristo.

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Precisamos ajudar os adolescentes a desenvolverem sua própria fé. Temos que ensinar o verdadeiro Evangelho que está fundamentado nas Escrituras Sagradas com seus textos e ensinamentos muitas vezes duros e de difícil compreensão, mas que revelam as insondáveis maravilhas de Deus. Precisamos pedir e confiar no poder do Espírito Santo que vai revelar aos adolescentes o plano redentor de Deus através de Jesus Cristo. E precisamos desafiar nossos adolescentes a serem as pessoas que Jesus quer que eles sejam, para que eles possam mostrar Cristo no mundo em que vivem.

Não é uma tarefa fácil, mas precisamos fazer a opção de ensinar para as novas gerações o Evangelho que transforma vidas e muda o mundo. Ou iremos repetir a história que lemos no livro de Juízes:

“Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor e o que ele havia feito por Israel.
Então os israelitas fizeram o que o Senhor reprova e prestaram culto aos baalins.”
Juízes 2:10-11

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Como os Adolescentes Lidam com a Tecnologia?

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A resposta para essa pergunta seria assunto de um livro, mas vou tentar discutir alguns pontos principais num post! Vivemos cercados pela tecnologia e somos beneficiados por tudo o que ela nos trouxe, mas isso se torna ainda mais intenso quando pensamos em adolescentes e jovens.

A tecnologia é um grande avanço que fascina a todos e que exerce uma grande influência nas gerações mais novas. Embora isso tenha o seu lado bom, cada vez mais temos que lidar com os efeitos nocivos da tecnologia, principalmente com a Dependência Tecnológica. Esse é um problema mundial e tão grave que o Hospital das Clínicas de São Paulo iniciou um trabalho voltado para esse transtorno com o  Grupo de Dependência Tecnológica do Programa de Transtornos do Controle dos Impulsos . Especialistas de todo o mundo já começam a considerar a Dependência Tecnológica como um problema de saúde pública.

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O problema tem aumentado muito nos últimos anos no Brasil, principalmente pelo avanço dos Smartphones (objeto de desejo da maioria dos adolescentes), pelo uso frenético das Redes Sociais (Facebook, Twitter, Instagram) pelas gerações mais novas e pelo estilo de vida solitário que temos.

Os adolescentes são os mais suscetíveis à esse tipo de dependência, havendo uma diferença entre garotos e garotas. Os garotos buscam mais o entretenimento e a competição (games), enquanto as garotas tem uma tendência maior para ações multitarefa e focam sua atenção para a comunicação (redes sociais, mensagens de texto). Essa maior suscetibilidade é devida principalmente à estrutura cerebral do adolescente. As mais recentes pesquisas tem mostrado que nessa etapa da vida o cérebro não está completamente formado, no que diz respeito ao seu funcionamento. Ele ainda não desenvolveu a capacidade de impedir comportamentos e principalmente de prever as consequências de suas ações. Isso só começa a acontecer a partir dos 20 anos de idade. Por isso o adolescente chega a passar a noite acordado jogando, trocando mensagens nas redes sociais ou navegando na Internet. Ele sabe que tem que dormir cedo para poder ir à escola no dia seguinte, mas não consegue medir as consequências de passar a noite em claro.

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Também é muito importante ressaltar que a dependência dos games é devida a liberação de dopamina pelo cérebro. A dopamina é um neurotransmissor cerebral responsável pela sensação de bem estar. É essa sensação de bem estar que vai levar à dependência dos games e de drogas. Os dois tipos de dependência envolvem a busca por sensações agudas de prazer.

Adolescentes e jovens sabem muito bem como usar tudo o que a tecnologia oferece, mas não conseguem ter o controle sobre esse uso e acabam ficando reféns da tecnologia. É preciso, entretanto, diferenciar o desejo normal de mandar mensagens, postar na redes sociais e usar games da Dependência Tecnológica. A dependência acontece quando o adolescente perde o controle sobre o uso da tecnologia e não consegue mais administrar o tempo que fica jogando ou fica conectado.

Outro importante fator a ser considerado são os problemas de comunicação que os adolescentes podem ter.Ele não faz mais chamadas telefônicas, ele manda mensagens ou torpedos. E isso acontece muitas vezes dentro de casa, quando o adolescente chega a se comunicar com os pais ou irmãos que estão em outros ambientes da casa, apenas através de mensagens. O adolescente dependente troca as conversas reais por conexões virtuais.   

E são as conversas com os outros que nos ajudam a desenvolver conversas com nós mesmos ou a capacidade de auto-reflexão. Para crianças e adolescentes em formação há um grande prejuízo no desenvolvimento do auto conhecimento. Então devemos nos perguntar: como esse adolescente vai se comportar em relação à sua espiritualidade, ao seu relacionamento com Deus, se não desenvolveu corretamente a capacidade de auto-reflexão? Como ele vai se relacionar com seus pares, vai refletir sobre suas ações e seus erros se essa capacidade está prejudicada?

Sempre que penso em “dependência”, lembro que quando dependemos de qualquer outra coisa que não seja Deus, deixamos que o objeto da nossa dependência assuma o lugar de Deus na nossa vida. Podemos comparar isso à idolatria, que acaba nos afastando de Deus. Vale lembrar as palavras do próprio Jesus em Mateus 6:24 e Mateus 22:37-38 .

Cabe à nós, pais, líderes e professores de adolescentes ajudá-los à controlar a tecnologia e não se deixar controlar por ela. 

Para assistir à Palestra “Internet, gamemania e compulsão tecnológica” clique aqui.

Doutorado, Palestra e Curso

Minha Turma do DMin no Fuller, nov 2012 e um dos professores, Dr. Scott Cormode

Minha Turma do DMin no Fuller, nov 2012 e um dos professores, Dr. Scott Cormode

Depois de um longo tempo, estou voltando a postar aqui. Os últimos meses tem sido bem agitados com o começo do meu segundo ano do DMin no Fuller Theological Seminary. Passei no primeiro ano e esse ano tenho que ler mais 4500 páginas (todo material é em inglês) até dia 27 de outubro. Para aqueles que não sabem, estou fazendo um Doutorado em Ministério de Adolescentes, Família e Cultura. O curso é à distancia no Fuller Theological Seminary, em Pasadena, California e tenho 2 incríveis semanas presenciais por ano lá no Campus de Pasadena. Esse ano irei para lá dia 24 de outubro para mais aulas! Mas antes disso irei compartilhar aqui no blog o que estou lendo e aprendendo.

Também tenho dado algumas palestras e vou dar 2 aulas num Curso de Capacitação para Professores e Líderes de Adolescentes em agosto. Veja informações abaixo e clique aqui para se inscrever:

Curso Betel (2) No dia 23 de julho darei uma Palestra sobre Internet, Dependência Tecnológica e Gamemania na Igreja Batista Memorial de Alphaville. Essa palestra será transmitida pela Internet e se você não puder estar presente pode assistir ao vivo clicando aqui no dia 23 de julho à partir das 20:30h. Veja mais informações abaixo:

Palestra IBMAlpha

Por hoje é só! Espero encontrar vocês em um desses 2 eventos!