Pais e Adolescentes: um Relacionamento Vital

Capa do Livro

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Acabei mais uma leitura e quero compartilhar com vocês, o que na minha opinião é a mais importante mensagem do livro “The Price of Privilege” de Madeline Levine, Ph. D., e psicóloga clinica especializada em adolescentes com mais de 25 anos de experiência nessa área. É importante lembrar que a Dra. Levine escreveu à partir da sua experiência com adolescentes de uma área de classe rica na Califórnia. E como o próprio nome do livro já diz, ele mostra o preço que essa geração de adolescentes que tem alto poder aquisitivo está pagando por conta disso. Esses adolescentes que tem tudo fácil acabam se tornando infelizes e problemáticos. Isso pode parecer uma constatação óbvia para muitos de nós, afinal, dinheiro não traz felicidade. Mas o interessante é que para escrever seu livro a Dra. Levine entrou em contato com outros terapeutas de diferentes áreas dos EUA e que atendem diferentes classes sociais e constatou que eles encontravam os mesmos problemas com os adolescentes que atendiam. Isso nos pensar que em maior ou menor grau, esse é um problema dessa geração de adolescentes independente de sua classe social.

Um dos aspectos mais importantes que o livro trata é da relação dos pais com seus filhos adolescentes. Esse relacionamento, que é vital para o bom desenvolvimento dos adolescentes, é negligenciado hoje e muitas vezes terceirizado: pais deixam a criação de seus filhos a cargo da  escola, da igreja e do terapeuta. As grandes mudanças que acontecem no cérebro dos adolescentes só são comparadas às grandes mudanças que acontecem no cérebro de crianças na primeira infância.

Foto: FreeDigitalPhotos.net

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É na adolescência que começa a formação do caráter e do identidade e os pais são parte importantíssima nisso. E o grande problema é que é nessa fase que os maiores conflitos entre pais e adolescentes acontecem de uma forma não saudável. Os pais precisam estabelecer com seus filhos adolescentes uma relação de amor e autoridade (não autoritarismo) para que possam ensinar e disciplinar seus filhos. Nossa tendência é transformar essa relação numa verdadeira guerra, quando deveríamos aproveitar essa época para fazer de nossos filhos adolescentes, nossos discípulos. Os adolescentes começam a enfrentar dilemas morais e decisões difíceis no dia a dia e se não tiverem os pais como referência e porto seguro irão procurar referências nos seus pares, na mídia, nos ídolos da moda e na cultura vigente.

refeiçãojpgInfelizmente não há uma “receita” ou um passo à passo para conseguir isso, porque cada família tem a sua própria dinâmica. Mas a Dra. Levine dá algumas dicas tão simples, que acabaram sendo negligenciadas por nós. A hora do jantar, por exemplo, quando é mais fácil reunir a família nessa fase da vida pode ser um momento especial para conversas informais que podem ajudar pais e filhos adolescentes a se aproximarem. Apesar do sobrenome “Bedicks”, que ganhei ao me casar, venho de uma família italiana “Dalla Valle” e o horário do jantar era uma grande e gostosa reunião informal de uma família de 4 filhos. Era um horário em que tínhamos que nos desligar de tudo e todos tinham que se sentar à mesa juntos e sair da mesa juntos. O que no início pode ter começado como uma imposição, logo se tornou um dos melhores momentos do dia para todos e nos beneficiamos muito desses longos jantares. Sei que é mais difícil fazer isso hoje, ainda mais quando Smartfones e Tablets são praticamente extensões do corpo e da mente dos adolescentes, mas não é impossível.

A Dra. Levine nos lembra que a parte do cérebro que é responsável por controlar comportamentos impulsivos não está madura antes dos 20 anos. Pesquisas mostram que a capacidade de auto controle dos adolescentes está intimamente ligada com a qualidade do relacionamento deles com os pais. Isso mostra que a adolescência é uma excelente oportunidade para os pais ajudarem seus filhos no desenvolvimento do auto controle. E a melhor forma de se fazer isso é deixar que o adolescente ganhe independência e autonomia aos poucos, sempre monitorado pelos pais, até que seu cérebro esteja mais desenvolvido. Em outras palavras, equilíbrio entre a liberdade que eles recebem e monitoramento (não policiamento) é um ponto chave para isso.

Vale lembrar que nosso manual de vida, a Bíblia, fala da importância do relacionamento entre pais e filhos muito antes dessas descobertas e pesquisas em textos como Deuteronômio 6:6-7, Provérbios 29:17, Provérbios 13:24 , Efésios 6:1-4.

Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles.
Provérbios 22:6

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