É Carnaval no Brasil…

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Foto: Jal Vieira    www.obaoba.com.br

 

Com um título bem parecido escrevi sobre o Carnaval nesse blog há alguns anos. Todos os anos o Carnaval é muito comemorado no Brasil e sempre chegam as perguntas: “Como falar sobre isso com nossos adolescentes e jovens?” ou “Pular Carnaval é pecado?” E eu sempre me pego pensando que se nossos adolescentes e jovens estivessem expostos aos perigos do Carnaval somente nesse feriado a coisa não seria tão ruim assim.

Antes que seja mal interpretada, explico meu pensamento. Infelizmente vivemos a cultura do Carnaval no Brasil durante os 365 dias do ano. Foi-se o tempo em que o Carnaval era o momento para as pessoas colocarem em prática todos os seus desejos reprimidos durante o ano. Vivemos imersos numa cultura hedonista cujo lema é o importante é ser feliz. Não é preciso esperar pelos dias de folia para fazer o que bem entender. Adolescentes e jovens estão constantemente expostos ao álcool, drogas, sexo fora do casamento e toda sorte de coisas do tipo!

Há também o argumento de que o Carnaval tem uma origem pagã (informação correta), mas muitas das nossas festas também tem origem pagã. Ou há uma base bíblica para celebrar aniversário e Ano Novo? E o que dizer da corrupção que assola o país e é amplamente divulgada em todos os meios de comunicação? Como explicar aos mais novos o termo “suruba seletiva” proferido pelo senador Romero Jucá ao se referir à proposta de referir o foro privilegiado? O famigerado programa BBB está em sua 17ª edição com tudo de ruim e errado que se possa imaginar. No Brasil é Carnaval todo dia…

Então não devemos nos importar com o Carnaval e está tudo bem? Claro que não! O Carnaval de rua voltou nas grandes cidades e adolescentes e jovens estão acompanhando os bloquinhos por aí correndo todos os riscos que o cérebro jovem não consegue prever. Em várias redes sociais bombou o relato da jovem que sofreu abuso e agressão num desses blocos em São Paulo. O Carnaval é uma época em que precisamos estar mais atentos, mas as novas gerações precisam dos nossos cuidados e das nossas atenções o ano todo.

Viver o Evangelho de Jesus Cristo é um desafio para nós e as novas gerações todos os dias.

“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada domine.
1 Coríntios 6:12

Precisamos falar de política com as novas gerações de cristãos!

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Depois das eleições municipais no último domingo, comecei a observar as manifestações de adolescentes e jovens nas redes sociais. Ainda na noite de domingo, um dos mais populares programas da TV brasileira exibiu uma reportagem sobre os jovens e a política no Brasil. Aqui você pode ler mais sobre isso e aqui pode ver a pesquisa que originou a reportagem. Nossos adolescentes e jovens estão falando, discutindo e respirando política, como poucas vezes vimos nesse país.

Já vinha pensando sobre o assunto num misto de contentamento, porque afinal nossos adolescentes e jovens não são alienados, e preocupação, porque parece haver uma tendência bem clara de doutrinação política. Essa tendência é evidente nesse vídeo do filósofo Luiz Felipe Pondé sobre o impeachment de Dilma Rousseff.

E logo comecei a pensar em como nós, cristãos, estamos ou não estamos discutindo política com nossos adolescentes e jovens à partir de uma perspectiva cristã. Nosso país tem respirado política nesse último ano e nossas igrejas precisam abrir espaço para que jovens e adolescentes possam discutir e aprender sobre o posicionamento do cristão na política. Não estou contrariando a sabedoria popular, que diz que “política, futebol e religião não se discute.” Percebam que não defendo uma discussão partidária, mas sim de ideias e conceitos que se alinhem com o pensamento cristão.

Precisamos mostrar aos nossos adolescentes e jovens que, para nos posicionar nesse cenário, temos que conhecer a Lei de Deus e ter consciência da nossa missão como cristãos no mundo. O cristão pode e deve se envolver nas questões relativas à política e à cidadania.

Um bom começo é conversar com eles sobre cristãos que se engajaram em causas políticas no tempo deles e que foram tão importantes a ponto de terem suas vidas retratadas em livros e filmes: Dietrich Bonhoeffer e William Wilberforce. Bonhoeffer, um pastor na Alemanha nazista foi preso e morto por se opor ao governo. Esse cristão atuou como agente secreto e participou do movimento que tramou o assassinato de Hitler. Além dos livros que ele escreveu, eles podem aprender mais sobre Bonhoeffer no antigo filme, Agente da Graça. William Wilberforce lutou pelo fim da escravidão na Inglaterra no século 19 e sua história é retratada no filme Jornada pela Liberdade.

Também encontramos várias pessoas na Bíblia que se posicionaram diante de governos de acordo com sua fidelidade a Deus: José; Moisés, Neemias, Mardoqueu, Ester, Daniel e seus amigos Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, os profetas do Antigo Testamento, João Batista e Paulo.

Precisamos mostrar aos nossos adolescentes e jovens que, para nos posicionar nesse cenário, temos que conhecer a Lei de Deus e ter consciência da nossa missão como cristãos no mundo. O cristão pode e deve se envolver nas questões relativas à política e à cidadania:

  • Conhecer a Lei de Deus

Há muitos textos sobre isso, mas destacaria como principais: Romanos 13:1-7 e 1 Pedro 2:13-14

  • Conhecer nossa missão como cristãos

Os cristãos não devem ser seres alienados. Não podemos nos esquecer de que somos, acima de tudo, cidadãos do Reino de Deus e não estamos nesse mundo a passeio. Estamos aqui para fazer diferença e falar do amor de Deus e da Salvação em Cristo Jesus. Somos agentes de transformação, mas da transformação que vem de dentro para fora e muda as pessoas.

Para nossa reflexão, cito  trechos de um texto de Robinson Cavalcanti (1944- 2012), que foi bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de muitos livros.

Uma questão, porém, nos desafia: o que fazer com a nossa vida entre a conversão e a morte/arrebatamento?… Deveríamos ser — como alguém afirmou — apenas “pré-cadáveres cantantes”? Ou há um mandato cultural entregue pelo Criador à humanidade e recuperado, primeiro, por Israel e, depois, pela Igreja? 

A ação política (cidadã) não deve se limitar ao partidário nem, muito menos, ao eleitoral, mas a uma atitude de responsabilidade, sensibilidade, disponibilidade e intervenção no cotidiano, que é obediência e testemunho. 

“A tarefa da Igreja é uma só: mudar o mundo” Charles Finney

Quem é Thiago Braz?

 

Foto de DAVID GRAY/ REUTERS

                                                                                                                               Foto de David Gray/Reuters

Sei que como eu, muitos brasileiros acordaram hoje perguntando: “Quem é Thiago Braz?”. Confesso que até a medalha de ouro desse jovem brasileiro, eu não tinha ouvido falar dele. Assim que pude fui pesquisar sobre o atleta na Internet e minha primeira pesquisa foi na ficha dele publicada pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Logo, algumas informações chamaram minha atenção:

HOBBIES: Assistir filmes e ler a Bíblia

OBJETIVOS PROFISSIONAIS: Atingir o que Deus tem para mim

Mais algumas pesquisas e vejo que a história de Thiago é mais uma história de superação. Ele foi abandonado pela mãe ainda menino e foi criado pelos avós. Ao ser perguntado sobre quem seriam as pessoas mais importantes na sua trajetória, ele respondeu “Deus e meus avós”.  Thiago também tem um triste histórico de não resistir às pressões das grandes competições como o Mundial e o Pan. Mas na maior de todas as competições ele finalmente venceu e diz que sua vitória foi um milagre de Deus!

Encontrar notícias, imagens e vídeos sobre o grande feito de Thiago é muito fácil. Thiago é casado com uma jovem atleta, Ana Paula, que foi entrevistada logo após a conquista dele. Vibrando com a conquista, Ana Paula fala do grande empenho do marido para conquistar essa medalha de ouro. E continua dizendo “Hoje o dia foi preparado por Deus para o Thiago e ninguém mudava isso. É para honra de Deus!” Confira a entrevista aqui.

Thiago Braz FBNa página oficial dele no Facebook, encontro essa postagem ao lado. Thiago sabe que Deus está com ele na vitória ou na derrota! Ele crê no Deus que não nos abandona jamais.

Thiago também foi entrevistado após a prova e quando perguntado sobre como conseguia se manter tão calmo, ele respondeu: “Aprendi a ter fé e confiar em Deus. Ele tem me ensinado muita coisa, até mesmo a concentração.” Confira essa entrevista aqui.

Várias notícias descrevem Thiago como muito religioso, mas uma delas diz “É comum ver o atleta brasileiro usando as redes sociais para compartilhar imagens de fé. Adota o discurso em seu dia a dia.” Parece que não é apenas mais um discurso de alguém que se diz cristão, mas é uma fala de alguém que vive de acordo com sua fé! Nessa época de escassez de referências para nossos adolescentes e jovens, a vida do Thiago Braz, com suas derrotas e vitórias, pode ajudá-los a ver que ter uma vida com Deus vale à pena!

Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus.
Pensem bem naquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que vocês não se cansem nem se desanimem.
Hebreus 12:1-3

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A história por trás das vitórias e derrotas de Michael Phelps

Phelps Reuters

© Reuters

Estamos assistindo a várias histórias de superação nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Muitos atletas enfrentaram derrotas, lesões, preconceitos e muito treinamento para disputarem essa Olimpíada.

E o maior medalhista olímpico da era moderna não é uma exceção. O fenômeno Michael Phelps, que até o momento em que escrevo esse post, já havia ganhado 25 medalhas olímpicas em 5 edições dos jogos. Com apenas 15 anos ele participou das Olimpíadas de Sidney em 2000 sem ganhar medalhas.

Para chegar até aqui, Phelps passou por momentos gloriosos, como quando ganhou 8 medalhas de ouro em uma única edição, nos Jogos de Pequim, na China em 2008. Outro momento importantíssimo de sua carreira ocorreu nos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres, ao tornar-se o primeiro nadador do mundo a conquistar o titulo olímpico, três vezes consecutivas na mesma especialidade a nível individual (200m medley). Entretanto desde o final das Olimpíadas de 2008, o nadador vinha enfrentando problemas com drogas, álcool e problemas de relacionamento com seu pai. Seus pais se separaram quando ele tinha apenas 9 anos.

O nadador anunciou sua aposentadoria depois dos Jogos de Londres em 2012. Abandonou os esportes e sua vida perdeu o rumo. Seus problemas com o álcool continuaram e ele chegou a ser preso por dirigir embriagado. Deprimido, chegou a pensar em suicídio. Mas seu amigo Ray Lewis, ex-jogador de futebol americano do Baltimore Ravens, e pessoas da família conseguiram convencê-lo a se internar numa clinica de reabilitação em 2014. No período de internação, Phelps leu Uma Vida com Propósito de Rick Warren, livro que ganhou de seu amigo Lewis. Essa história é contada num documentário exibido pela ESPN Brasil. Clique aqui para assistir esse documentário de 16 minutos ou assista no site da ESPN Brasil. Se você é um líder de adolescentes, aproveite esse vídeo e assista com sua turma para iniciar um bom bate-papo. Se você é pai ou mãe de adolescentes, aproveite para assistir vídeo com seus filhos e iniciar uma boa conversa.

Muitos sites dizem que Phelps foi salvo pelo livro ou que foi salvo pelo desejo de competir nas Olimpíadas de 2016. Outros dizem que o nadador entregou sua vida a Jesus. Nenhum desses fatos é verdadeiro! A única verdade é que Deus agiu poderosamente e deu novo rumo à vida de Phelps.

A história de Michael Phelps pode mostrar aos nossos adolescentes e jovens como uma trajetória de sucesso pode ser interrompida quando estamos afastados de Deus. E também mostra que na sua graça e misericórdia, só Deus pode nos resgatar de uma situação de dor, falta de esperança e de vontade de viver.

Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus. Efésios 1:6

 

Quando Deus Renovou meu Chamado

Logo da NYMC 2009

Logo da NYMC 2009

Servir a Deus no Ministério de Adolescentes é muito bom, mas não é nada fácil. Se você está nesse ministério por um tempinho, sabe bem do que eu estou falando.

Era apenas o começo de 2009, e a igreja na qual eu trabalhava estava fazendo uma “santa” pressão para que eu deixasse o ministério da Nova Geração e me dedicasse ao ensino de adultos. Afinal, eu tinha meu MDiv e era muito qualificada. Em outras palavras, qualificada demais para servir no Ministério de Adolescentes. Esse tipo de elogio era quase que uma ofensa para mim, pois tinha ido para o Seminário estudar e me preparar para servir nesse ministério. E apesar de ter todo o apoio do meu chefe na época, o pastor das Faixas Etárias, eu ficava em dúvida. Valia a pena viver brigando por mais espaço para os adolescentes na igreja, trabalhar muito e ganhar tão pouco?

Group capaSou assinante da revista norte-americana Group e estava “namorando” uma Conferência de Ministério de Adolescentes que aconteceria em Columbus Ohio, no final de fevereiro daquele ano. Então 10 dias antes dessa Conferência, decidi que iria participar dela e iria buscar respostas de Deus lá. Só havia alguns probleminhas: as inscrições estavam esgotadas, não havia lugar nos hotéis, precisava comprar uma passagem para os EUA, convencer meu chefe e implorar para o meu marido. Para encurtar uma longa estória, resolvi todos esses probleminhas com alguns telefonemas no espaço de mais ou menos uma hora.

Livro que eu ganhei

Livro que eu ganhei

Dia 27 de fevereiro, à 1:00h da manhã desembarquei em Columbus, Ohio. A família que havia hospedado meu filho durante seu intercâmbio nos EUA, veio me buscar e me dar abrigo. Eles moram numa pequena cidade distante 1 hora de Columbus. Às 10 horas daquele mesmo dia, eu chegava no Centro de Convenções para a Pré-Conferência com Doug Fields sobre como liderar e manter uma equipe voluntária. Eram cerca de 140 pessoas na sala e ao término da primeira parte o Doug disse que daria seu mais recente livro para a pessoa que havia vindo de mais longe. E como eu era a única estrangeira da sala, ganhei o livro.

Meu crachá com os bottons

Meu crachá com os bottons

No final da Pré-Conferência, o Doug veio conversar comigo: como eu tinha ido parar lá? Minha igreja no Brasil estava me enviando? Quem era eu? Contei rapidamente para ele minha estória e no mesmo instante Doug pegou seu rádio e chamou a Kami Gilmour. Ela era a diretora da Conferência e assim que ela chegou na sala, o Doug pediu para ela ir comigo até a livraria da Conferência para que eu pegasse tudo o que iria precisar! O quê? Esse cara é louco? Mal me conheceu e resolve me dar todo o material que eu quisesse? Perguntei por que ele estava fazendo aquilo e ele me respondeu que assim eu voltaria para o Brasil com material suficiente para dizer à liderança da minha igreja, que o Doug Fields estava mandando eu continuar no Ministério de Adolescentes! Será que Deus estava respondendo minhas perguntas?

Foi com essa dúvida que comecei a assistir o vídeo de abertura da NYMC algumas horas mais tarde. E as frases do vídeo começaram a falar diretamente comigo:

Você se lembra:

  • O que sentiu quando soube que estava embarcando numa jornada para mudar vidas
  • E aquele momento em que um garoto se rendeu e aceitou a Cristo
  • Do olhar deles quando só você e ninguém mais parecia se importar com eles
  • Quando você quis largar tudo, mas voltou atrás na manhã seguinte
  • Da primeira vez que sentiu que não estava só no ministério
  • E daqueles dias em 2009, em Ohio, quando Deus renovou seu chamado para o Ministério de Adolescentes?

Nessa altura, aos prantos, tinha vontade de gritar: “Sim, eu me lembro Senhor!”. Mas logo veio a dúvida: Será que Deus está respondendo minhas perguntas?

Braddigan

Braddigan

Depois de ouvir dois garotos, Alex e Brett Harris, falando sobre o livro deles “Do Hard Things”, (“Radicalize” na edição em português) uma banda subiu ao palco e antes de começarem a tocar, eles se apresentaram. Era a banda Braddigan composta por Brad Corrigan (americano), Reinaldo (porto riquenho) e Tiago (brasileiro!). Eles começaram tocando uma música composta por eles nas 3 línguas e alguns segundos depois, todo o auditório de 2000 pessoas estava louvando a Deus em português! Sim, Deus estava respondendo minhas perguntas!

Quero encorajar você que tem lutado bravamente para sobreviver no Ministério de Adolescentes. Deus quer pessoas preparadas e apaixonadas por esse ministério! Você não está sozinho! Vamos nos unir por esse ministério no Brasil!

Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar.
Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim.
Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança
Lamentações 3:19-21 

Sonhe comigo e sonhe com a SYMC 2014

Experiência com Deus do tipo “De Volta Para o Futuro”…

Quero compartilhar com vocês uma experiência que tive com Deus nesse último feriado e que chamo do tipo “De volta para o Futuro”. Sabe quando estamos desanimados, cansados e Deus nos dá o privilégio de ver um pouquinho do que seria o nosso futuro ou dos frutos que poderemos colher? Ainda está muito confuso, muito abstrato? Então vamos aos fatos.

Meu marido e eu pegamos  um vôo de São Paulo para Santiago no Chile na última sexta-feira, dia 11/11 com um grupo de amigos dele para passar 4 dias no Chile. O objetivo era um treinamento e clínica de natação em Algarrobo,  pequena localidade, conhecida por possuir a maior piscina do mundo, com 1km de extensão. Algo incrível e lindo, como a foto mostra.

Nos sentamos numa fileira de 3 poltronas. Eu na janela, meu marido no meio e um rapaz, que deveria ter cerca de 30 anos, na poltrona do corredor. A viagem é de 4 horas de duração e dormi quase toda a primeira metade desse tempo. Foi mais ou menos nesse ponto da viagem, que meu marido começou a conversar com o rapaz, que lhe contou que era americano e estava morando em Santiago há 9 meses. Ele disse que morava perto de Chicago e que havia sido transferido pela empresa para Santiago. Meu marido lhe disse que eu já havia visitado Chicago vezes e foi aí que eu entrei na conversa.

O rapaz me perguntou por que eu havia estado tantas vezes em Chicago e eu lhe disse que havia ido 2 vezes a passeio e outras para conferências. Ele então me perguntou que tipo de conferências e com certo receio de iniciar uma discussão sobre religião dentro de um avião pequeno e lotado, lhe respondi que eram conferências de igreja. E ele me perguntou que tipo de trabalho eu fazia e eu respondi que era uma espécie de líder de adolescentes e pré-adolescentes ou uma “youth minister”. Para minha grande surpresa, o rapaz deu um largo sorriso, e disse: “Que legal! Que trabalho maravilhoso você tem!”

Mesmo não querendo ser uma desmancha prazeres tive que contar a ele o lado não tão legal do meu trabalho. Disse a ele que havia sido demitida do meu trabalho há cerca de 1 ano, pois a igreja em que trabalhava precisou fazer cortes e o ministério escolhido para isso foi o de pré-adolescentes e adolescentes; que esse ministério é considerado um ministério de segunda classe ou não prioritário pela maioria das igrejas brasileiras; que as editoras brasileiras também quase não investem nesse segmento e terminei dando a ele uma visão geral da luta que é ser uma mulher no ministério no Brasil, especialmente em algumas denominações.

Ao final do meu triste monólogo o sorriso dele havia desaparecido e muito emocionado, ele me olhou e disse que sentia muito, porque o ministério de adolescentes de uma igreja em Cleveland, Ohio, havia mudado a vida dele. Emocionado, aquele rapaz começou a me contar como conheceu a Cristo através desse ministério. Ele me disse que seus pais não eram cristãos e que quando ele era apenas um pré-adolescente, um amigo o convidou para ir à uma reunião dos pré-adolescentes da igreja dele. Ele falou sobre o impacto que o líder daquele grupo teve na vida dele. Lembrou do seu pequeno grupo, dos estudos bíblicos e do apoio que recebeu deles até sua entrada na Faculdade. Também falou das primeiras viagens missionárias que participou ainda adolescente, junto com outros adultos da igreja e como isso influenciou sua vida cristã. Ele me disse que conhecer a Cristo nessa idade e poder fazer parte de um grupo de jovens cristãos fez toda a diferença em sua vida, para que ele pudesse enfrentar as barras que teve que enfrentar na Faculdade, no primeiro emprego em outro estado, no casamento e agora na mudança de país.

Eu disse a ele que meu sonho é ver um ministério de adolescentes que transforme vidas em cada igreja brasileira. Que eu sei da importância que os Pequenos Grupos, as Viagens Missionárias e a liderança, o cuidado e o exemplo de cristãos adultos tem na vida das Novas Gerações, mas que as dificuldades são muitas e as ferramentas que tenho são poucas. Contei a ele sobre o blog e sobre alguns planos futuros, mas também lhe falei do desânimo que às vezes se abate sobre mim. Mais uma vez sorrindo ele me disse: “Não desista! Esse trabalho é muito importante e eu acredito que se Deus lhe deu essa visão e essa paixão, ele vai realizar muitas coisas através de você. Eu sou uma prova da diferença que um ministério de adolescentes pode fazer na vida de um jovem e poderia lhe contar sobre outros amigos meus que tiveram a mesma experiência. Eu não sei onde estaria agora, se não tivesse conhecido Jesus na minha adolescência.”

E o avião começou a iniciar sua descida. Deus havia aberto a cortininha do futuro, como eu gosto de dizer, por alguns minutos, para que eu pudesse dar uma olhada no possível futuro que o Ministério de Adolescentes pode ter. Deus não precisou do DeLorean do Dr. Brown, mas me colocou num vôo de São Paulo para Santiago, sentada quase ao lado de um rapaz americano, que nasceu em Ohio, conheceu a Cristo num ministério de adolescentes de uma igreja em Cleveland, trabalhou em Illinois, foi transferido para Santiago e passou a semana passada trabalhando em São Paulo.

Pensem que daqui há 15 ou 20 anos, aquele rapaz pode ser um dos adolescentes do seu grupo. Afinal estamos no “ramo” de transformação de vidas, através de um relacionamento com Jesus. Esse pensamento me deu novo animo e as palavras do profeta Isaías vieram à minha mente: “mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam bem alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam.” Is 40:31

Saí do avião como águia.

O Que os Adolescentes Pensam de Jesus?

Você já pensou nisso? Já perguntou para os adolescentes do seu ministério, da sua igreja ou da sua família o que eles pensam de Jesus? Ou como eles definiriam ou descreveriam Jesus? Essas perguntas que parecem ter respostas tão óbvias podem nos surpreender de uma forma estranha. Foi isso que Rick Lawrence descobriu quando decidiu fazer uma pesquisa com adolescentes espalhados por todos os Estados Unidos. Equipes munidas de microfones e câmeras foram encarregadas de abordar adolescentes aos acaso pelas ruas do país e perguntar: “Como você descreveria Jesus?” E a palavra ou expressão mais usada para descrevê-lo foi “bom” ou “gente boa” e outras respostas como um “cara legal”, “uma pessoa amigável” e “alguém muito bom”. Essa experiência deixou Rick tão intrigado que foi uma das motivações para que ele escrevesse seu livro “Jesus Centered Youth Ministry”, infelizmente ainda sem tradução em português.

Creio que se fizéssemos essa experiência entre os nossos adolescentes obteríamos um resultado parecido. Sim, é inegável que Jesus é bom, mas essa não é a característica marcante dele. Mesmo quando realizava seus milagres e mostrava toda a sua bondade, Jesus mostrava o quão incrível e único ele é. Será que quando os adolescentes lêem sobre seus milagres, eles tem a dimensão disso? Esse vídeo feito pela BBC e com efeitos do tipo que o filme “Matrix” lançou e que hoje está tão popular talvez os ajude a ver que Jesus era extraordinário, incrível, fantástico e não apenas “bom”:

Quando leio sobre essa descrição que eles tem de Jesus, logo me lembro do texto de Mateus 21:12-13, quando Jesus entra no templo derrubando mesas e cadeiras dos mercadores e os chama de ladrões. Será que alguém ali achou Jesus bonzinho? Isso para não falar da sua famosa conversa com Pedro quando ele repreende Pedro dizendo “Para trás de mim, Satanás!” Mt 16:23

E o que dizer dos encontros de Jesus com os fariseus? Ele os chamou de hipócritas, serpentes, víboras, sepulcros caiados entre outras ofensas e os lembrava que estavam condenados a irem para o inferno. Claro que não podemos nos esquecer do famoso jantar relatado em Lucas 11:37-54 quando Jesus é convidado a jantar na casa de um fariseu e quando o jantar começa, a coisa mais suave que ele diz aos fariseus é “insensatos”. E quando um mestre da lei tenta interromper e diz que assim ele está ofendendo a todos, Jesus começa a falar diretamente para esse grupo e não poupa palavras, ou melhor ofensas. Será que alguém naquele jantar achou Jesus “bom”?

Aquela estranha conversa com Pedro antes da crucificação Lc 22: 31,32, quando Jesus diz a Pedro que Satanás pediu para peneirá-lo como trigo e Jesus diz que orou por ele. O que seus adolescentes pensam ao lerem essa passagem? Eu penso: “Como assim, mestre? O Senhor orou? O Senhor não disse para ele que não vai deixar ele me peneirar como trigo?” Será que Jesus parece bom aqui?

E o que dizer de Jesus que morreu na cruz por nós, pelos nossos adolescentes? Ele fez isso porque era bom? Não, ninguém é bom o suficiente para fazer algo assim por pessoas que nem sequer merecem isso. Jesus fez isso porque era o Filho de Deus enviado para nos salvar de uma condenação eterna. Ele fez por amor, pelo amor inexplicável e imensurável de Deus por nós. Ele morreu e ressuscitou porque era o próprio Deus feito homem! Uma coisa muito louca, como diriam nossos adolescentes.

Disse no começo que acreditava que se fizéssemos a mesma experiência que meu amigo Rick fez nos EUA com adolescentes brasileiros, obteríamos o mesmo resultado e explico porque. É muito raro ver adolescentes entregando suas vidas para Jesus como Senhor e não apenas como Salvador. E mais raro ainda vê-los dispostos a seguir por essa difícil e perigosa fase da adolescência com Jesus. Dificilmente vemos adolescentes que tem Jesus como centro de sua vida, que falam de sua experiência com ele apaixonadamente para seus amigos e que trazem seus amigos para Jesus por causa disso.

Não estou falando aqui de pequenos fanáticos religiosos, programados para fazer parte de um exército de religiosos que se isolam do mundo real e vivem nos limites do muro da igreja. Estou falando de adolescentes reais, que freqüentam a escola, o shopping, o cinema, os shows das bandas da moda, assistem TV, navegam na Internet, estão nas redes sociais e estão expostos a todo tipo de perigo desses tempos como álcool, droga, pornografia, sexo fora do casamento e um novo perigo que surge a cada dia. São esses adolescentes reais que precisam ter um relacionamento com um Jesus real que pode andar ao lado deles como Senhor nessa fase tão crítica.

Jesus é radical, incrível, vai contra a cultura, uma coisa muita louca, como eles mesmos diriam. Não é uma figura da renascença pálida e bondosa, mas um verdadeiro revolucionário, que com 12 homens que a sociedade da época rotularia de comuns à escória, mostrou Deus aos homens e mudou a nossa história com Deus. Jesus é Jesus, não é “O Cara”, “O Brother” e outros nomes mais que reduzem sua grandeza e majestade. Jesus é o Filho de Deus e viver uma vida tendo ele como Senhor é uma aventura radical. Mas será que nossos adolescentes já entenderam isso?

Por isso quero deixar duas perguntas para vocês líderes ou pais de pré-adolescentes ou adolescentes:

  1. Qual é o tipo de relacionamento que os seus adolescentes tem com Jesus?
  2. Como você tem apresentado Jesus para seus adolescentes?