Onde Estão os Adolescentes da Igreja?

Essa situação é familiar para você?

“Uma igreja com um ministério infantil lotado de crianças, um ministério de pré-adolescentes com um pequeno mais difícil rebanho, um ministério de adolescentes com poucos garotos e garotas que aparecem de vez em quando na igreja e um ministério de jovens com alguns fiéis remanescentes.”

Muito provavelmente você deve ter respondido que sim. E essa é a triste realidade das igrejas brasileiras e também das igrejas americanas. E o problema é tão sério que motivou um estudo e uma pesquisa feitas pelo Fuller Youth Institute chamado “Sticky Faith” (Fé que Cola). Tudo isso para descobrir porque parece que a Fé não “cola” nos adolescentes e eles se afastam da comunidade cristã justamente nesse período tão crítico da vida deles.

Livro Sticky Faith

Esse projeto de pesquisa teve como resultado, além do site, alguns livros, dentre os quais o “Sticky Faith: Everyday ideas to build lasting faith in your kids” (Fé que cola: Idéias do dia a dia para ajudar seus filhos a terem uma fé que perdure), que eu acabo de ler. Se você tiver algum tipo de pré-conceito contra idéias, livros, pesquisas e ensinos norte-americanos, peço que deixe de lado esses sentimentos em favor do Reino. Porque, após ler e analisar o livro percebendo que os contextos podem ser diferentes, ficou muito claro para mim que o grande problema é o mesmo: os adolescentes que se afastam da fé e da vida cristã e o que precisamos fazer para reverter essa situação. E é disso que quero falar, é esse o ponto que líderes, pastores, voluntários do Ministério de Adolescentes e pais de adolescentes precisam urgentemente discutir.

Sei que muitos dirão que grande parte desses adolescentes acabam votando para a igreja e para a fé cristã na idade adulta e isso é verdade. Mas eles voltam feridos, sofrendo as consequências de erros cometidos, sem amigos na comunidade cristã e sem terem produzido frutos numa das melhores épocas de suas vidas. Por isso não podemos mais nos conformar com essa situação e precisamos conscientizar a Igreja brasileira de que os adolescentes são um imenso e importante campo missionário dentro da própria igreja e que precisa ser urgentemente alcançado pela comunidade cristã.

Esse vídeo demonstra muito bem o que acontece em nossas igrejas:

O livro “Sticky Faith: Everyday ideas to build lasting faith in your kids” cita alguns motivos que podem estar causando essa evasão dos adolescentes da igreja porque a fé não “cola” neles. E um desses motivos é a segregação dos adolescentes pela igreja. Na tentativa de sermos mais apropriados e relevantes para essa faixa etária acabamos segregando os adolescentes do restante da igreja. Eles acabam não se sentindo parte da igreja e infelizmente muitas vezes são realmente vistos pela igreja como um ministério menos importante ou até como um problema. Que ligação esses adolescentes terão com essa comunidade? Por que eles irão permanecer ali quando tiverem a liberdade de sair?

Os adolescentes precisam se sentir acolhidos, bem vindos e úteis na igreja. E isso não trabalho apenas do líder ou pastor de adolescentes, mas é função de toda a comunidade adulta da igreja. A Bíblia nos diz repetidamente que uma geração é responsável pela geração que a sucede Sl 145:4; Sl 22:30; Sl 102:18 . As igrejas precisam se perguntar: “Como podemos integrar os adolescentes com nossa comunidade?” E cada igreja vai encontrar suas próprias respostas porque cada comunidade tem suas características.  Pode ser através de cultos conjuntos, de viagens missionárias conjuntas, de pequenos grupos, de grupos de louvor misto, de grupos de discipulado, enfim cabe a cada comunidade encontrar a maneira de se conectar com seus adolescentes. E com certeza essa geração carece de relacionamentos verdadeiros, de líderes e mentores que se importem com eles, que os ouçam. Eles precisam de modelos, de exemplos de vida cristã e de oportunidades para servir. Quando os adolescentes sentem que são parte de algo, eles vestem a camisa, eles escolhem participar, eles fazem diferença e trazem outros adolescentes.

Tenho falado em algumas igrejas em diferentes partes do nosso país e o grande problema que líderes e pais de adolescentes encontram é ver essa garotada chegando ao final da adolescência e abandonando a fé cristã. Não podemos mais olhar para isso e dizer que é culpa desse mundo louco, da televisão, da Internet e da inversão de valores. Precisamos olhar para o que nós, Igreja Brasileira, estamos fazendo ou deixando de fazer para que toda uma geração se afaste dos caminhos do Senhor. E corrigir o nosso rumo para que possamos guiar aqueles que vem atrás de nós.

Por isso quero desafiar você a começar hoje a contagiar a geração adulta da sua comunidade com o amor, o cuidado, a oração, o discipulado, o ensino pela geração adolescente!

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Experiência com Deus do tipo “De Volta Para o Futuro”…

Quero compartilhar com vocês uma experiência que tive com Deus nesse último feriado e que chamo do tipo “De volta para o Futuro”. Sabe quando estamos desanimados, cansados e Deus nos dá o privilégio de ver um pouquinho do que seria o nosso futuro ou dos frutos que poderemos colher? Ainda está muito confuso, muito abstrato? Então vamos aos fatos.

Meu marido e eu pegamos  um vôo de São Paulo para Santiago no Chile na última sexta-feira, dia 11/11 com um grupo de amigos dele para passar 4 dias no Chile. O objetivo era um treinamento e clínica de natação em Algarrobo,  pequena localidade, conhecida por possuir a maior piscina do mundo, com 1km de extensão. Algo incrível e lindo, como a foto mostra.

Nos sentamos numa fileira de 3 poltronas. Eu na janela, meu marido no meio e um rapaz, que deveria ter cerca de 30 anos, na poltrona do corredor. A viagem é de 4 horas de duração e dormi quase toda a primeira metade desse tempo. Foi mais ou menos nesse ponto da viagem, que meu marido começou a conversar com o rapaz, que lhe contou que era americano e estava morando em Santiago há 9 meses. Ele disse que morava perto de Chicago e que havia sido transferido pela empresa para Santiago. Meu marido lhe disse que eu já havia visitado Chicago vezes e foi aí que eu entrei na conversa.

O rapaz me perguntou por que eu havia estado tantas vezes em Chicago e eu lhe disse que havia ido 2 vezes a passeio e outras para conferências. Ele então me perguntou que tipo de conferências e com certo receio de iniciar uma discussão sobre religião dentro de um avião pequeno e lotado, lhe respondi que eram conferências de igreja. E ele me perguntou que tipo de trabalho eu fazia e eu respondi que era uma espécie de líder de adolescentes e pré-adolescentes ou uma “youth minister”. Para minha grande surpresa, o rapaz deu um largo sorriso, e disse: “Que legal! Que trabalho maravilhoso você tem!”

Mesmo não querendo ser uma desmancha prazeres tive que contar a ele o lado não tão legal do meu trabalho. Disse a ele que havia sido demitida do meu trabalho há cerca de 1 ano, pois a igreja em que trabalhava precisou fazer cortes e o ministério escolhido para isso foi o de pré-adolescentes e adolescentes; que esse ministério é considerado um ministério de segunda classe ou não prioritário pela maioria das igrejas brasileiras; que as editoras brasileiras também quase não investem nesse segmento e terminei dando a ele uma visão geral da luta que é ser uma mulher no ministério no Brasil, especialmente em algumas denominações.

Ao final do meu triste monólogo o sorriso dele havia desaparecido e muito emocionado, ele me olhou e disse que sentia muito, porque o ministério de adolescentes de uma igreja em Cleveland, Ohio, havia mudado a vida dele. Emocionado, aquele rapaz começou a me contar como conheceu a Cristo através desse ministério. Ele me disse que seus pais não eram cristãos e que quando ele era apenas um pré-adolescente, um amigo o convidou para ir à uma reunião dos pré-adolescentes da igreja dele. Ele falou sobre o impacto que o líder daquele grupo teve na vida dele. Lembrou do seu pequeno grupo, dos estudos bíblicos e do apoio que recebeu deles até sua entrada na Faculdade. Também falou das primeiras viagens missionárias que participou ainda adolescente, junto com outros adultos da igreja e como isso influenciou sua vida cristã. Ele me disse que conhecer a Cristo nessa idade e poder fazer parte de um grupo de jovens cristãos fez toda a diferença em sua vida, para que ele pudesse enfrentar as barras que teve que enfrentar na Faculdade, no primeiro emprego em outro estado, no casamento e agora na mudança de país.

Eu disse a ele que meu sonho é ver um ministério de adolescentes que transforme vidas em cada igreja brasileira. Que eu sei da importância que os Pequenos Grupos, as Viagens Missionárias e a liderança, o cuidado e o exemplo de cristãos adultos tem na vida das Novas Gerações, mas que as dificuldades são muitas e as ferramentas que tenho são poucas. Contei a ele sobre o blog e sobre alguns planos futuros, mas também lhe falei do desânimo que às vezes se abate sobre mim. Mais uma vez sorrindo ele me disse: “Não desista! Esse trabalho é muito importante e eu acredito que se Deus lhe deu essa visão e essa paixão, ele vai realizar muitas coisas através de você. Eu sou uma prova da diferença que um ministério de adolescentes pode fazer na vida de um jovem e poderia lhe contar sobre outros amigos meus que tiveram a mesma experiência. Eu não sei onde estaria agora, se não tivesse conhecido Jesus na minha adolescência.”

E o avião começou a iniciar sua descida. Deus havia aberto a cortininha do futuro, como eu gosto de dizer, por alguns minutos, para que eu pudesse dar uma olhada no possível futuro que o Ministério de Adolescentes pode ter. Deus não precisou do DeLorean do Dr. Brown, mas me colocou num vôo de São Paulo para Santiago, sentada quase ao lado de um rapaz americano, que nasceu em Ohio, conheceu a Cristo num ministério de adolescentes de uma igreja em Cleveland, trabalhou em Illinois, foi transferido para Santiago e passou a semana passada trabalhando em São Paulo.

Pensem que daqui há 15 ou 20 anos, aquele rapaz pode ser um dos adolescentes do seu grupo. Afinal estamos no “ramo” de transformação de vidas, através de um relacionamento com Jesus. Esse pensamento me deu novo animo e as palavras do profeta Isaías vieram à minha mente: “mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam bem alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam.” Is 40:31

Saí do avião como águia.

Grupos Pequenos: Moda ou Necessidade?

Pequeno Grupo de adolescentes na igreja em que implantei os Pequenos Grupos para essas faixas etárias.

Vivemos numa cultura onde as amizades são superficiais e até virtuais. Nossos pré-adolescentes e adolescentes tem centenas de amigos, mas sequer conhecem alguns desses “amigos”, que encontram no Facebook, Twitter e outras mídias sociais. Não tenho nada contra as mídias sociais, apenas estou fazendo aqui uma leitura de nosso tempo.

Por isso a Igreja deve e pode fazer diferença, tornando-se um espaço onde há uma comunidade poderosa, autêntica e centrada em Jesus Cristo e os pré-adolescentes e adolescentes:

  • são aceitos do jeito que eles são.
  • podem discutir assuntos muito importantes de suas vidas.
  • podem ter um mentor espiritual e ter um crescimento espiritual.
  • podem aprender a aplicar as verdades bíblicas em suas vidas e buscar ajuda para enfrentar seus problemas do dia a dia.

O principal propósito dos Pequenos Grupos é que eles sejam  espaços onde pré-adolescentes e adolescentes se conectem num relacionamento com Jesus Cristo e uns com os outros. Eles devem ter uma atmosfera acolhedora para que pré-adolescentes e adolescentes possam construir relacionamentos significativos com outros pré-adolescentes e adolescentes, que tem os mesmos tipos de desafios e objetivos que eles.

Os Pequenos Grupos devem ser lugares seguros, onde seus membros tenham a liberdade de ser verdadeiros e possam compartilhar suas lutas e dificuldades. Para que esse ambiente seja criado, o Líder deve dar o primeiro passo.(1 Ts 2:8)

A tarefa do Líder de Pequeno Grupo não é fácil. Como um cristão mais maduro, ele tem a habilidade de comunicar a verdade de Deus. O líder precisa se preparar para o encontro com o Pequeno Grupo e precisa acompanhar os membros do seu grupo, principalmente aqueles que estão precisando de maiores cuidados. (At 20:24)

O líder não pode dar o que ele não tem, por isso tem que fazer do seu relacionamento com Jesus uma prioridade. Dessa forma poderá passar isso quase que de forma natural para os membros do seu grupo. (Cl 3:16)

O estilo de liderança de um líder de Pequeno Grupo deve ser o do líder servo, aquele que serve seus liderados. (Mc 10:43)

A maior dificuldade que tive para implantar os Pequenos Grupos entre os pré-adolescentes e adolescentes foi a falta de líderes adultos e imagino que essa deva ser a dificuldade da maioria das igrejas. O argumento bíblico que os adultos da igreja mais usam para “fugir” dessa responsabilidade é que a  Bíblia nos diz  que os pais são diretamente responsáveis pelo cuidado espiritual de seus filhos e isso é verdade. Mas a Bíblia não diz que eles são os únicos responsáveis por isso.Toda uma comunidade de fé que vem antes dessa Nova Geração também tem responsabilidade sobre ela e a história de Juízes (Jz 2:10) e outros trechos da Bíblia (Sl 145:4; Sl 22:30; Sl 102:18) nos mostram que essa é uma responsabilidade de uma geração inteira.

Como Igreja precisamos orar por essa geração e agir, pois nossa missão é transmitir a Palavra de Deus para eles. A história do povo de Deus continua a ser escrita em nossas vidas e, quando não estivermos mais aqui, qual terá sido o legado deixado por nós?

E respondendo a pergunta do título, os Grupos Pequenos não são moda. Eles são extremamente necessários para que possamos cumprir essa tarefa que temos como Igreja. Sei que não é fácil motivar os adultos de sua igreja, por isso estou colocando aqui um vídeo que legendei e utilizei para motivar os líderes de Pequenos Grupos de meu antigo ministério. Espero que seja de grande ajuda para vocês também.

Para líderes de Pequeno Grupo desanimados, lembre-os de que: se os membros do grupo que eles lideram parecem não entender nada do que eles dizem e vivem dizendo ou fazendo bobagem, eles lideram um Pequeno Grupo bem parecido com o que Jesus liderou há cerca de 2ooo anos e que transformou o mundo!