Eu tenho um sonho

Parafraseando Martin Luther King, quero falar do meu sonho. E escolhi falar sobre isso hoje, um domingo. Hoje muitas igrejas estão reunidas para adorar a Deus, ter comunhão e ouvir e aprender mais sobre a Palavra de Deus. Mas será que as igrejas estão se reunindo como Jesus queria? Será que estamos reunidos como “família de Deus“? Eu receio que não.

A Bíblia nos diz que fomos adotados como filhos de Deus. Jesus é o Filho Único de Deus, mas nós fomos adotados independente da idade, gênero, etnia, nação ou qualquer outra divisão que a sociedade e a cultura nos impõe. Infelizmente não é isso que vemos em nossas igrejas que deveriam representar a família de Deus aqui na terra. Vivemos numa sociedade fragmentada e a igreja também está fragmentada. Separamos nossas crianças, adolescentes e jovens da grande congregação! E temos feito essa separação há tanto tempo e com tanta eficiência, que as novas gerações estão cada vez mais distantes dos adultos. Trabalho com as novas gerações há muito tempo e sei que é necessário termos um trabalho cuidadoso e direcionado para elas. Infelizmente transformamos esse trabalho específico numa separação e as novas gerações não se sentem parte da família de Deus. E meu sonho é ver as novas gerações integradas à grande família de Deus novamente!

Foi sonhando com isso que me deparei com esse vídeo abaixo:

Crianças, adolescentes e jovens que estão buscando um lugar onde se encaixem. Um lugar onde sejam acolhidos e amados e possam produzir uma sinfonia tão bonita como a do vídeo!

Sim, esse é meu sonho! Sei que é algo que leva tempo, dedicação, doação, paciência, amor e intencionalidade. O sonho pode ser meu, mas a ideia é de Deus! Quando é que a igreja de Jesus Cristo vai se posicionar para tornar esse sonho realidade?

Por isso convido você a deixar seu comentário aqui e sonhar comigo. Teremos muitos outros posts para nos aprofundarmos nessa ideia. Por enquanto, sonhe comigo!

Quando Deus Renovou meu Chamado

Logo da NYMC 2009

Logo da NYMC 2009

Servir a Deus no Ministério de Adolescentes é muito bom, mas não é nada fácil. Se você está nesse ministério por um tempinho, sabe bem do que eu estou falando.

Era apenas o começo de 2009, e a igreja na qual eu trabalhava estava fazendo uma “santa” pressão para que eu deixasse o ministério da Nova Geração e me dedicasse ao ensino de adultos. Afinal, eu tinha meu MDiv e era muito qualificada. Em outras palavras, qualificada demais para servir no Ministério de Adolescentes. Esse tipo de elogio era quase que uma ofensa para mim, pois tinha ido para o Seminário estudar e me preparar para servir nesse ministério. E apesar de ter todo o apoio do meu chefe na época, o pastor das Faixas Etárias, eu ficava em dúvida. Valia a pena viver brigando por mais espaço para os adolescentes na igreja, trabalhar muito e ganhar tão pouco?

Group capaSou assinante da revista norte-americana Group e estava “namorando” uma Conferência de Ministério de Adolescentes que aconteceria em Columbus Ohio, no final de fevereiro daquele ano. Então 10 dias antes dessa Conferência, decidi que iria participar dela e iria buscar respostas de Deus lá. Só havia alguns probleminhas: as inscrições estavam esgotadas, não havia lugar nos hotéis, precisava comprar uma passagem para os EUA, convencer meu chefe e implorar para o meu marido. Para encurtar uma longa estória, resolvi todos esses probleminhas com alguns telefonemas no espaço de mais ou menos uma hora.

Livro que eu ganhei

Livro que eu ganhei

Dia 27 de fevereiro, à 1:00h da manhã desembarquei em Columbus, Ohio. A família que havia hospedado meu filho durante seu intercâmbio nos EUA, veio me buscar e me dar abrigo. Eles moram numa pequena cidade distante 1 hora de Columbus. Às 10 horas daquele mesmo dia, eu chegava no Centro de Convenções para a Pré-Conferência com Doug Fields sobre como liderar e manter uma equipe voluntária. Eram cerca de 140 pessoas na sala e ao término da primeira parte o Doug disse que daria seu mais recente livro para a pessoa que havia vindo de mais longe. E como eu era a única estrangeira da sala, ganhei o livro.

Meu crachá com os bottons

Meu crachá com os bottons

No final da Pré-Conferência, o Doug veio conversar comigo: como eu tinha ido parar lá? Minha igreja no Brasil estava me enviando? Quem era eu? Contei rapidamente para ele minha estória e no mesmo instante Doug pegou seu rádio e chamou a Kami Gilmour. Ela era a diretora da Conferência e assim que ela chegou na sala, o Doug pediu para ela ir comigo até a livraria da Conferência para que eu pegasse tudo o que iria precisar! O quê? Esse cara é louco? Mal me conheceu e resolve me dar todo o material que eu quisesse? Perguntei por que ele estava fazendo aquilo e ele me respondeu que assim eu voltaria para o Brasil com material suficiente para dizer à liderança da minha igreja, que o Doug Fields estava mandando eu continuar no Ministério de Adolescentes! Será que Deus estava respondendo minhas perguntas?

Foi com essa dúvida que comecei a assistir o vídeo de abertura da NYMC algumas horas mais tarde. E as frases do vídeo começaram a falar diretamente comigo:

Você se lembra:

  • O que sentiu quando soube que estava embarcando numa jornada para mudar vidas
  • E aquele momento em que um garoto se rendeu e aceitou a Cristo
  • Do olhar deles quando só você e ninguém mais parecia se importar com eles
  • Quando você quis largar tudo, mas voltou atrás na manhã seguinte
  • Da primeira vez que sentiu que não estava só no ministério
  • E daqueles dias em 2009, em Ohio, quando Deus renovou seu chamado para o Ministério de Adolescentes?

Nessa altura, aos prantos, tinha vontade de gritar: “Sim, eu me lembro Senhor!”. Mas logo veio a dúvida: Será que Deus está respondendo minhas perguntas?

Braddigan

Braddigan

Depois de ouvir dois garotos, Alex e Brett Harris, falando sobre o livro deles “Do Hard Things”, (“Radicalize” na edição em português) uma banda subiu ao palco e antes de começarem a tocar, eles se apresentaram. Era a banda Braddigan composta por Brad Corrigan (americano), Reinaldo (porto riquenho) e Tiago (brasileiro!). Eles começaram tocando uma música composta por eles nas 3 línguas e alguns segundos depois, todo o auditório de 2000 pessoas estava louvando a Deus em português! Sim, Deus estava respondendo minhas perguntas!

Quero encorajar você que tem lutado bravamente para sobreviver no Ministério de Adolescentes. Deus quer pessoas preparadas e apaixonadas por esse ministério! Você não está sozinho! Vamos nos unir por esse ministério no Brasil!

Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar.
Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim.
Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança
Lamentações 3:19-21 

Sonhe comigo e sonhe com a SYMC 2014

Que Evangelho Estamos Ensinando para os Adolescentes?

garotinho e Bíblia

Foto: Freedigitalphotos.net

almost-Christian-bookComo já havia dito aqui no blog, vou compartilhar com vocês o que estou lendo e aprendendo nesse semestre. E o primeiro livro que li foi o “Almost Christian: What the Faith of Our Teenagers is Telling the American Church”  ou “Quase Cristãos: O Que a Fé dos Nossos Adolescentes está Dizendo para a Igreja Americana” da Kenda Creasy Dean. E logo no início do livro, a autora cita uma frase de John Wesley de 1741, que diz: “A Igreja está cheia de quase cristãos que não tem uma caminhada com Cristo.”

Sei que alguns podem ter críticas quanto ao conteúdo do livro para nós aqui no Brasil, pois ele foi baseado em dados do National Study of Youth and Religion (NSYR), que foi feito com adolescentes americanos. Mas a realidade é que a cultura adolescente ou cultura teen está muito globalizada e os adolescentes brasileiros dos grandes centros tem muitas semelhanças com os adolescentes americanos.

Foto: Freedigitalphotos.net

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Em resumo, o livro nos mostra dados que nos fazem refletir sobre qual é mensagem que estamos ensinando aos adolescentes. Kendra nos lembra que a fé dos adolescentes é um reflexo da fé de seus pais e por extensão, de suas igrejas. E a resposta que mais intrigou pesquisadores e a própria autora é que a igreja não é tão importante para os adolescentes cristãos evangélicos, católicos e judeus. Além disso, todos acham que “Deus é bom e legal” e os cristãos definem Jesus como “um cara legal”. Para eles a religião parece ser uma coisa boa, mas o relacionamento deles com Deus é tão profundo quanto um pires.

Baseados nisso, dois pesquisadores americanos, Christian Smith e Melinda Denton, concluíram que isso é resultado do que a igreja de hoje vive e ensina, e que eles denominaram de: Deísmo Moralista Terapêutico. O Deísmo Moralista Terapêutico foi aos poucos substituindo o verdadeiro Evangelho de Cristo.

O Deísmo Moralista Terapêutico diz que:

  1. Existe um deus que criou e comanda o mundo e observa a vida na Terra.
  2. Deus quer que as pessoas sejam boas, legais e justas umas com as outras, como a Bíblia e a maioria das religiões ensina.
  3. O principal objetivo na vida é ser feliz e se sentir bem.
  4. Deus não está envolvido na minha vida, exceto quando eu preciso de Deus para resolver um problema.
  5. Pessoas boas vão para o céu quando morrem.

Qualquer semelhança da fé dos adolescentes da igreja com o Deísmo Moralista Terapêutico não é mera coincidência, mas é a triste realidade. Mas não se desespere, embora eu tenha ficado muito desanimada com essa conclusão. A boa notícia é que a longo prazo, o Deísmo Moralista Terapêutico não preenche o lugar do verdadeiro relacionamento com Deus na vida dos adolescentes. E eles estão abertos para conhecer o Evangelho de Jesus Cristo.

Foto: Freedigitalphotos.net

Foto: Freedigitalphotos.net

Precisamos ajudar os adolescentes a desenvolverem sua própria fé. Temos que ensinar o verdadeiro Evangelho que está fundamentado nas Escrituras Sagradas com seus textos e ensinamentos muitas vezes duros e de difícil compreensão, mas que revelam as insondáveis maravilhas de Deus. Precisamos pedir e confiar no poder do Espírito Santo que vai revelar aos adolescentes o plano redentor de Deus através de Jesus Cristo. E precisamos desafiar nossos adolescentes a serem as pessoas que Jesus quer que eles sejam, para que eles possam mostrar Cristo no mundo em que vivem.

Não é uma tarefa fácil, mas precisamos fazer a opção de ensinar para as novas gerações o Evangelho que transforma vidas e muda o mundo. Ou iremos repetir a história que lemos no livro de Juízes:

“Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor e o que ele havia feito por Israel.
Então os israelitas fizeram o que o Senhor reprova e prestaram culto aos baalins.”
Juízes 2:10-11

Dia 3 da SYMC 2013! Deus fez grandes coisas aqui

Esse é o vídeo com o tema da SYMC desse ano foi “Mais Forte: A força Dele é a minha força”. E esse é o vídeo tema da Conferencia que, tenta através dessas imagens nos mostrar como são os momentos em que nos sentimos desorientados e frustrados e como nos tornaremos mais fortes após isso.

A SYMC 2013 acabou dia 04, segunda-feira, mas só hoje, dia 05 consegui escrever sobre o Dia 3. É impressionante o que acontece em 24 horas de Conferencia e no final do dia, preciso processar toda informação e até conseguir escrever para vocês.

Dramatização dos diversos tipos de recrutarPara mim, esse terceiro dia começou com a primeira parte de uma Half-Track, sobre Ministério de Adolescentes numa Igreja Pequena: Dicas Práticas para Criar um Ambiente Sustentável no Ministério de Adolescentes de Igrejas Pequenas. A palestrante, foi minha admirável amiga Stephanie Caro, que além de ser mãe de 7 filhos tem um trabalho incrível com igrejas pequenas. Clique aqui para conhecer o blog dela. Ela nos mostrou as vantagens e as desvantagens de termos um Ministério de Adolescentes numa igreja pequena. Também falou de uma forma divertida sobre como recrutar voluntários. Como vocês podem ver na foto ao lado.

De lá fomos direto para Sessão Geral da manhã, onde depois de momentos de louvor, ouvimos a mensagem do sempre brilhante Rick Lawrence. Rick compartilhou conosco o mistério de ter recebido durante 8 semanas presentes anônimos, que eram sempre um personagem do desenho animado Phineas and Ferb e versículos bíblicos de encorajamento. Para encurtar uma longa estória, Rick não se sentiu melhor com os tais presentes anônimos, até que descobriu no final que eles estavam sendo por suas próprias filhas de 10 e 14 anos. Isso mudou tudo para o Rick, porque como disse Marshall McLuhan, aquele que nos traz a mensagem é o que importa.

Eu, participando do Half Track com meus companheiros de mesa

Eu, participando do Half Track com meus companheiros de mesa

À tarde voltei para segunda parte da Half-Track, sobre Ministério de Adolescentes numa Igreja Pequena, quando Stephenie nos deu grandes dicas para tornar o nosso ensino mais efetivo e dinâmico. Através de uma verdadeira aula, ela nos fez ver como podemos tornar nosso ensino mais relacional, algo que eles realmente experimentem e que seja aplicável.

 

E para finalizar, a Sessão Geral da Noite  com louvor, com os  incríveis Skit Guys e a palavra de Margaret Feinberg. Ela nos falou sobre as maravilhas da presença de Deus em nossas vidas e usou o livro de Jó para isso. Refletimos sobre os inúmeros porquês que povoaram a vida de Jó e o fato de ele nunca ter obtido uma resposta para eles. Assim como nós também não vamos receber respostas para os nossos porquês em meio ao nosso sofrimento. Mas Deus mostrou para Jó que ele deveria perguntar “Quem” e o redirecionou para a sua graça, porque é Ele que está no controle de tudo mesmo no meio do sofrimento. Só Deus pode nos trazer restauração.

E para terminar a noite, um vídeo engraçado de Josh e Jake e o Harlem Shake, gravado ano início da noite com a platéia.

Aguarde o grande final: O Dia 4 da SYMC 2013!

 

O Impacto da Família Sobre Crianças e Adolescentes

O conceito de família tem mudado muito nas duas últimas décadas. A família nuclear, criada por Deus e constituída de pai, mãe e filhos parece estar fora de moda ou desatualizada.

A família é a fonte primária de estabilidade relacional e emocional para o desenvolvimento sadio da criança. Por isso deveria ser uma instituição estável dedicada à proteção e ao desenvolvimento dos mais jovens, onde eles recebem os valores que os acompanharão pela vida.  Infelizmente hoje, vemos adultos que consideram que essas mudanças e os relacionamentos instáveis se justificam pela busca da felicidade individual. Mas eles se esquecem das consequências que tudo isso traz para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. E as consequências são significativas ou até devastadoras para a psique, os relacionamentos e visão de mundo de crianças e adolescentes.

E para piorar um pouco, o que vemos hoje e que estudos recentes comprovam, é que muitos pais não sabem mais como ser pais e crianças e adolescentes precisam de pais. Com medo de se tornarem os pais autoritários do passado, os pais começaram a abrir mão de sua autoridade e começaram a delegar essa autoridade aos filhos. Mas os filhos não estão preparados para isso. Crianças e adolescentes ainda não internalizaram regras e padrões e não tem um bom controle sobre suas emoções e comportamento. Eles precisam receber isso dos pais ou dos adultos responsáveis por eles.

Em seu livro “Ties That Stress: The New Family Imbalance” , o Dr.David Elkind, diz que: “Quando nós tentamos ser amigos de nossos filhos ao invés de pais, nós os privamos da fonte mais importante de regras internas, padrões, controle e limites”

É incrível ver que o mesmo que o Dr. Elkind nos diz hoje, as Escrituras Sagradas já nos diziam de outra forma há muito tempo:

Quem se nega a castigar seu filho não o ama; quem o ama não hesita em discipliná-lo. 
Provérbios 13:24

Não podemos nos esquecer de que hoje crianças e adolescentes enfrentam um ambiente extremamente hostil, com inversão de valores, falta de estrutura familiar e onde nada é absoluto e seguro, mas tudo é relativo e a insegurança é total.

Além disso, vivemos num mundo em constante mudança. E essas mudanças: famílias desfeitas, acesso a todo e qualquer tipo de informação, estimulação precoce da sexualidade, excesso de liberdade e falta de limites causam um dano maior às novas gerações.

O Dr. Clark Chapman do Fuller Theological Seminary, diz em seu livro Hurt 2.0que a geração de adolescentes de hoje sofre de abandono. 

Essa situação de não ter uma autoridade maior sobre eles é interpretada como abandono. Na verdade eles se sentem abandonados, sós, como se ninguém se importasse com eles.

Os pais ainda são uma grande influência para seus filhos e quanto mais presentes forem, mais forte será essa influência. A Bíblia nos diz e os estudos recentes comprovam que a escola mais importante que uma criança pode frequentar é o seu lar. E os professores de teologia que terão mais influencia na vida de uma criança são seus pais.

Entretanto, a tarefa de pais não é uma corrida de curta distância ou de velocidade, é uma MARATONA. Pais tem que construir com seus filhos um relacionamento de confiança mútua e isso leva tempo. E para isso, os pais precisam, além de amar incondicionalmente os filhos:

  • Entender os filhos e mundo em que eles vivem
  • Dar a eles segurança com limites claros e ao mesmo tempo permitir que eles se desenvolvam.

É isso mesmo, pais precisam ao mesmo tempo entender os filhos e estabelecer limites seguros e flexíveis ou negociáveis para que eles possam se desenvolver, crescer, relacionar-se com os outros e fazer escolhas importantes. E tudo isso precisa acontecer debaixo da clara liderança dos pais.

Não sei no que você pensa ao ler tudo isso, mas a primeira vez que peguei pensando nisso uma imagem veio imediatamente à minha mente:

A tarefa dos pais é uma maratona equilibrando vários pratos e de porcelana fina e cara. Claro que isso demanda tempo, paciência e sabedoria que vem de Deus e de sua Palavra. E a igreja local, como instituição que pode ter um impacto significativo sobre a família, precisa estar atenta às mudanças e necessidades das famílias. A igreja não pode e não deve assumir o lugar dos pais, mas pode auxiliá-los e muito nessa maratona.

Posso dizer que minha experiência como mãe me mostrou que a tarefa é difícil, mas não é impossível. Ainda não cruzei a linha de chegada, pois sei que essa é uma corrida para a vida toda. Com inevitáveis pratos quebrados no caminho, vamos conseguido alcançar esse equilíbrio que tanto queremos. E vemos que nossos filhos se tornam adultos mais fortes,  saudáveis e independentes.

Isso vale todo o esforço dessa maratona.

Onde Estão os Adolescentes da Igreja?

Essa situação é familiar para você?

“Uma igreja com um ministério infantil lotado de crianças, um ministério de pré-adolescentes com um pequeno mais difícil rebanho, um ministério de adolescentes com poucos garotos e garotas que aparecem de vez em quando na igreja e um ministério de jovens com alguns fiéis remanescentes.”

Muito provavelmente você deve ter respondido que sim. E essa é a triste realidade das igrejas brasileiras e também das igrejas americanas. E o problema é tão sério que motivou um estudo e uma pesquisa feitas pelo Fuller Youth Institute chamado “Sticky Faith” (Fé que Cola). Tudo isso para descobrir porque parece que a Fé não “cola” nos adolescentes e eles se afastam da comunidade cristã justamente nesse período tão crítico da vida deles.

Livro Sticky Faith

Esse projeto de pesquisa teve como resultado, além do site, alguns livros, dentre os quais o “Sticky Faith: Everyday ideas to build lasting faith in your kids” (Fé que cola: Idéias do dia a dia para ajudar seus filhos a terem uma fé que perdure), que eu acabo de ler. Se você tiver algum tipo de pré-conceito contra idéias, livros, pesquisas e ensinos norte-americanos, peço que deixe de lado esses sentimentos em favor do Reino. Porque, após ler e analisar o livro percebendo que os contextos podem ser diferentes, ficou muito claro para mim que o grande problema é o mesmo: os adolescentes que se afastam da fé e da vida cristã e o que precisamos fazer para reverter essa situação. E é disso que quero falar, é esse o ponto que líderes, pastores, voluntários do Ministério de Adolescentes e pais de adolescentes precisam urgentemente discutir.

Sei que muitos dirão que grande parte desses adolescentes acabam votando para a igreja e para a fé cristã na idade adulta e isso é verdade. Mas eles voltam feridos, sofrendo as consequências de erros cometidos, sem amigos na comunidade cristã e sem terem produzido frutos numa das melhores épocas de suas vidas. Por isso não podemos mais nos conformar com essa situação e precisamos conscientizar a Igreja brasileira de que os adolescentes são um imenso e importante campo missionário dentro da própria igreja e que precisa ser urgentemente alcançado pela comunidade cristã.

Esse vídeo demonstra muito bem o que acontece em nossas igrejas:

O livro “Sticky Faith: Everyday ideas to build lasting faith in your kids” cita alguns motivos que podem estar causando essa evasão dos adolescentes da igreja porque a fé não “cola” neles. E um desses motivos é a segregação dos adolescentes pela igreja. Na tentativa de sermos mais apropriados e relevantes para essa faixa etária acabamos segregando os adolescentes do restante da igreja. Eles acabam não se sentindo parte da igreja e infelizmente muitas vezes são realmente vistos pela igreja como um ministério menos importante ou até como um problema. Que ligação esses adolescentes terão com essa comunidade? Por que eles irão permanecer ali quando tiverem a liberdade de sair?

Os adolescentes precisam se sentir acolhidos, bem vindos e úteis na igreja. E isso não trabalho apenas do líder ou pastor de adolescentes, mas é função de toda a comunidade adulta da igreja. A Bíblia nos diz repetidamente que uma geração é responsável pela geração que a sucede Sl 145:4; Sl 22:30; Sl 102:18 . As igrejas precisam se perguntar: “Como podemos integrar os adolescentes com nossa comunidade?” E cada igreja vai encontrar suas próprias respostas porque cada comunidade tem suas características.  Pode ser através de cultos conjuntos, de viagens missionárias conjuntas, de pequenos grupos, de grupos de louvor misto, de grupos de discipulado, enfim cabe a cada comunidade encontrar a maneira de se conectar com seus adolescentes. E com certeza essa geração carece de relacionamentos verdadeiros, de líderes e mentores que se importem com eles, que os ouçam. Eles precisam de modelos, de exemplos de vida cristã e de oportunidades para servir. Quando os adolescentes sentem que são parte de algo, eles vestem a camisa, eles escolhem participar, eles fazem diferença e trazem outros adolescentes.

Tenho falado em algumas igrejas em diferentes partes do nosso país e o grande problema que líderes e pais de adolescentes encontram é ver essa garotada chegando ao final da adolescência e abandonando a fé cristã. Não podemos mais olhar para isso e dizer que é culpa desse mundo louco, da televisão, da Internet e da inversão de valores. Precisamos olhar para o que nós, Igreja Brasileira, estamos fazendo ou deixando de fazer para que toda uma geração se afaste dos caminhos do Senhor. E corrigir o nosso rumo para que possamos guiar aqueles que vem atrás de nós.

Por isso quero desafiar você a começar hoje a contagiar a geração adulta da sua comunidade com o amor, o cuidado, a oração, o discipulado, o ensino pela geração adolescente!

Flautista Ou Profeta: Qual É O Seu Chamado?

Flautista de Hamelin

Você ja ouviu ou leu a estória do Flautista de Hamelin? Lenda ou verdade, essa estória teve origem na idade média e chegou até nós através de um dos contos dos irmãos Grimm. Mas você deve estar se perguntando: o que essa estória tem a ver com o Ministério de Adolescentes? E eu respondo: tudo. Ou você nunca se imaginou com uma flauta que ao menor toque capturasse a total atenção do seu grupo de adolescentes, mesmo que eles fossem 130 adolescentes? Imagine se você tivesse o poder de fazer com que eles obedecessem cada comando seu apenas com a melodia de uma flauta. Parece tentador, além de divertido. Claro que não usaríamos a flauta para sumir com os adolescentes para sempre como fez o Flautista de Hamelin, (embora isso pudesse agradar algumas lideranças de certas igrejas em lugares distantes).

Nós iríamos atrair esses adolescentes para nós e é aí que mora o grande perigo do Ministério com Adolescentes. Como, geralmente, nós que temos o chamado para esse ministério somos apaixonados, nos entregamos totalmente, somos idealistas e sonhadores, podemos facilmente cair na armadilha de pensarmos que temos o que essa garotada realmente precisa e que somos pessoalmente responsáveis por salvá-los e deixamos Deus de lado. Parece loucura ou algo impossível de acontecer, mas isso é muito mais comum do imaginamos e quando isso acontece, quando nos tornamos Flautistas, o peso do Ministério nos consome rapidamente e desistimos.

Profeta João Batista

Nós definitivamente não somos a Luz de que eles precisam, mas somos aqueles que precisam mostrar para eles onde está a Luz que eles tanto precisam. Nosso chamado é para sermos Profetas e não Flautistas. E por tudo o que sabemos sobre os profetas das Escrituras, ser profeta não é nada fácil. O profeta anuncia, testemunha e guia. Ele vai falar a verdade e apontar para Aquele que está muito além dele. Enquanto o Flautista encanta, o Profeta cutuca e incomoda. Daí o perigo de cairmos na armadilha de nos tornarmos Flautistas.

E só para ajudar, o nosso modelo bíblico de Profeta deve ser João Batista, aquele que comia gafanhoto e mel e vivia no deserto. E a Bíblia nos diz que João pregava o arrependimento para as pessoas. A verdade é que temos que mostrar aos adolescentes o que está errado, o que está ruim, o que está na escuridão e precisa da Luz. E precisamos fazer isso com amor e dando-lhes esperança de que em Cristo tudo é possível. Resumindo, precisamos levá-los ao arrependimento, ao sentimento de que precisam dessa Luz que só Jesus pode lhes dar para que haja transformação de vida. Se vocês ainda tem alguma dúvida de que é essa nossa missão vejam o que João fala em Lucas 3:3-6 

3Ele percorreu toda a região próxima ao Jordão, pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados.
4Como está escrito no livro das palavras de Isaías, o profeta: “Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele.
5Todo vale será aterrado e todas as montanhas e colinas, niveladas. As estradas tortuosas serão endireitadas e os caminhos acidentados, aplanados.
6E toda a humanidade verá a salvação de Deus’”.

Sei que esse texto é para todos nós, mas ao lê-lo não posso deixar de pensar que não conheço nenhuma outra fase da vida com tantos vales, montanhas, colinas e estradas tortuosas como a adolescência.

Então, você é Flautista ou Profeta?

Esse texto foi baseado no Chapter 14: Theological Framework for Youth Ministry: Repetence by Robin Maas do Livro STARTING RIGHT: Thinking theologically about youth ministry