Série: O Que Eles Tem na Cabeça? Sexualidade e Identidade

Beijo namoro

Imagem cortesia de stockimages em FreeDigitalPhotos.net

Por razões que vão desde a alimentação até o contexto sociocultural, é fato que crianças estão amadurecendo sexualmente cada vez mais cedo. Isso pode ser observado principalmente nas meninas e também sabemos que o cérebro não está madurecendo com a mesma rapidez. Pelo contrário, o cérebro está demorando cada vez mais para passar por esse processo do desenvolvimento.

É por isso que o envolvimento físico e sexual precoce pode ser muito bom e prazeroso para o corpo, mas muito ruim para cabeça. Em seu livro “Cérebro Adolescente: o Grande Potencial, a Coragem e a Criatividade da Mente dos 12 aos 24 Anos”, o Dr. Daniel Siegel faz um alerta aos adolescentes quando diz que se envolver sexualmente fora do contexto de uma relação confiável pode ter complicações consideráveis. Ele explica que relações sexuais provocam a secreção de oxitocina, um hormônio que intensifica os sentimentos.

Diante disso podemos entender porque garotos e garotas lidam tão mal quando esses relacionamentos precoces se intensificam ou acabam. Nos garotos isso pode intensificar o ciúme e agressão enquanto que nas garotas intensifica o apego e a obsessão romântica. Não é por acaso que observamos desequilíbrios emocionais como o aumento de reações violentas em garotos e depressão em garotas.

Há ainda outro fator importante. Os adolescentes estão construindo sua identidade pessoal. Na realidade esse é um dos processos principais dessa fase. Eles precisam descobrir quem são e isso vai afetar todas as áreas de suas vidas. Quando eles se envolvem intensamente num relacionamento romântico e sexual, eles podem deixar de se desenvolver positivamente e individualmente para manter esse relacionamento. Uma ruptura do relacionamento pode trazer consequências trágicas com comportamentos de risco como envolvimento com álcool, drogas, depressão e até suicídio.

Então o que Jesus disse para as multidões na Judéia faz sentido para nós(Mateus 19:4-6):

“Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’?Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe”.

Essa fala de Jesus nos mostra claramente que a união no sexo não apenas física. Ela tem implicações sentimentais, mentais e espirituais!

O Dr. Daniel Siegel é um cientista não religioso e suas pesquisas acabam comprovando o que a Escritura já dizia há milhares de anos atrás. Ele diz que uma adolescente de quase 20 anos deu uma sugestão para esse capítulo do seu livro: “Diga ao seu leitor para não se comprometer muito cedo. Se for para dar certo, dará.”

Aquele que tem ouvidos, ouça! Mateus 11:15

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É Namoro ou Casamento?

Na terça-feira, dia 15 de maio, o ótimo programa “Profissão Repórter” abordou o tema: Casais Adolescentes: Como as Famílias Estão Lidando com a Sexualidade dos Jovens. O conteúdo mostrado daria uma série de posts e não apenas um, mas ao acessar o site dessa edição do dia 15 para rever  programa, o título imediatamente direcionou o assunto desse post.

Aviso: Assista ao programa antes de continuar lendo o post.

Dos mais diversos pontos de vista, há vários motivos para se pensar que alguma coisa está errada nesse título: Casais adolescentes têm vida de casados na casa dos pais. Ou não há? Do ponto de vista da sabedoria popular, há muito se diz que: Quem Casa Quer Casa, título de uma comédia escrita por Martins Fontes em 1845! E do ponto de vista do bom senso, vida de casados só no final de semana,  sem responsabilidades, sem despesas, sem roupa suja para lavar, sem super mercado para fazer é muita folga! Será que é por isso que  hoje encontramos adolescentes de 35 anos, que não querem assumir nenhum compromisso? Em sua coluna no jornal A Folha de São Paulo, a psicóloga Rosely Sayão, fala dessa falta de maturidade dos nossos jovens num texto intitulado Maduros Até a Página DoisEm um trecho desse texto, Rosely diz: “Nossos jovens precisam de nós, adultos. Precisam de nossa ajuda para amadurecer, para encontrar coragem na busca de boas soluções para seus problemas, para enfrentar um mundo que começam a descobrir com seu próprio olhar, para enfrentar as vicissitudes da vida. Só seremos boa companhia para eles nessa jornada se tivermos paciência para dialogar, conflitar, bancar junto a eles o lugar que logo ocuparão: o de adultos maduros que fazem escolhas e arcam com as consequências delas.”

E vejam que ainda nem citei o que a Bíblia, a base para os cristãos, tem a dizer sobre isso. E essa moda de ter “vida de casados na casa dos pais” vai contra o que a Bíblia nos ensina em seus primeiros capítulos: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.” Gênesis 2:24 . É preciso mais versículos ou esse já dá o assunto por encerrado? Ao assistir ao programa não pude deixar de pensar no pouco valor que se dá hoje ao casamento, na fragilidade das relações que deveriam ser eternas e nos jovens casais casados que se separam diante da primeira dificuldade. Qual é o limite entre namoro e casamento? Por que ter um casamento tempo integral se podemos ter um casamento de final de semana? Dá para entender a confusão na cabeça dessas novas gerações.

Se você tem algum tempo de ministério ou de convívio com adolescentes sabe muito bem que quanto maior o envolvimento deles no namoro, maiores serão as consequências, as feridas e os estragos quando esse namoro acabar. E não precisamos de nenhuma estatística para saber que os namoros adolescentes dificilmente chegam até o casamento. Na semana passada chegou até mim o caso de uma garota de 15 anos, que após o término de um namoro desse tipo “cama, mesa e banho”, tentou tirar a própria vida por 3 vezes.

É por isso que não dá para entender a postura dos pais que não sabem mais ser pais. Os pais que cedem à toda e qualquer pressão dos filhos em nome do amor que sentem por eles, sem perceber que com isso deixam seus filhos totalmente expostos à situações que eles não tem maturidade para encarar. Ao mesmo tempo eles impedem que seus filhos cresçam e se desenvolvam como adultos responsáveis e maduros. Há também os pais que oferecem todo o conforto que podem, como cama de casal e suíte, para que seus filhos não se sintam deslocados no contexto atual, criando os “adultescentes” que podem se acomodar e não aprenderem a andar sozinhos antes dos 40 anos.

Concluindo, o que mais me chamou a atenção na reportagem foi o quanto os pais estão perdidos e sem referências e quanto nós, igreja e líderes cristãos estamos deixando de agir como parceiros desses pais. Pois, como citei antes, até mesmo vozes do mundo secular se levantam e falam para ajudar esses pais confusos nessa tarefa de educar seus filhos. Mas nós cristãos, que deveríamos ser os primeiros a nos posicionar, a ensinar e instruir para fazer diferença, nos omitimos.

Por isso termino esse post com perguntas para:

Líderes: O que você, seu ministério ou sua igreja tem feito para trabalhar em parceria com as famílias dos adolescentes? 

e para Pais: O que vocês tem cobrado de apoio de sua igreja para a difícil tarefa de educar seus filhos adolescentes nos caminhos de Deus? Sua igreja tem investido no Ministério de Adolescentes, no Líder ou Pastor de Adolescentes?