Contrato do Smartphone, uma Boa Ideia!

Janelle e Gregory Hoffman

Janelle e Gregory Hoffman

Foi notícia de jornais, saiu nas redes sociais, nos mais populares programas de TV dois Estados Unidos e foi até matéria da edição do Fantástico do dia 13/01/2013. O fato de que a mãe Janelle Hoffman deu como presente de Natal um iPhone para seu filho Gregory de 13 anos, acompanhado de um contrato de uso, virou notícia.

Confesso que ao ler o contrato pela primeira vez numa rede social, me diverti e pensei que se tratava de uma brincadeira muito bem bolada. Mas, uma rápida pesquisa no Google mostrou que o fato era verídico e interessante. Sabemos que pré-adolescentes e adolescentes vivem literalmente grudados em seus Smartphones, como se eles fossem verdadeiras extensões de seus braços. Mas como os pais podem ter o controle sobre isso? Afinal, um Smartphone não é um simples brinquedo, mas um instrumento poderoso de comunicação que nos conecta e nos expõe ao mundo. Em umas da muitas reportagens sobre o caso na TV americana, Josh Shipp, um expert em comportamento de adolescentes, disse que dar um computador ou celular para um adolescente sem estabelecer regras pode ser comparado a dar um carro sem seguro para um jovem que acabou de tirar sua habilitação.

E quando nos vemos no papel de pais cristãos, sabemos da responsabilidade que Deus nos deu para cuidarmos de nossos filhos e das consequências de negligenciarmos isso. Não podemos nos omitir de nossas responsabilidades de pais como fizeram os pais de Sansão, como fez Eli ou como se omitiu Davi que depois viu a destruição de sua família. A Palavra de Deus nos mostra em vários exemplos que precisamos assumir nossas responsabilidades de pais ensinando e disciplinando nossos filhos.

Talvez a ideia de um contrato possa lhe parecer absurda ou exagerada, mas isso nada mais é do que dar limites, estabelecer os famosos “combinados” e ensinar nossos filhos no caminho que devem andar. E isso é mais importante ainda quando se trata de filhos adolescentes.

Para aqueles que não conhecem o famoso contrato, aqui está uma tradução dele. Vale lembrar que cada pai deve estabelecer seu próprio contrato ou combinado com seu filho, pois cada família tem suas características e situações próprias. Esse é o contrato da Janelle com o Gregory, filho dela e não pode ser o seu contrato com seu filho.

25/12/2012

Querido Gregory,

Feliz Natal! Agora você é o proprietário de um iPhone. Que legal! Você é um bom garoto de 13 anos e é responsável, por isso merece esse presente. Mas junto com esse presente você também receberá um regulamento e regras. Por favor, leia todo o contrato a seguir. Eu espero que você entenda que minha função é fazer com que você cresça e se torne um jovem saudável que possa conviver nesse mundo e coexistir com a tecnologia sem ser dominado por ela. Uma falha no cumprimento da lista de regras à seguir resultará no término do seu direito à propriedade desse iPhone.

Eu amo você muito e espero trocar milhões de mensagens de texto com você no futuro.

  1. Esse é meu celular. Eu o comprei. Eu paguei por ele. Eu estou emprestando o celular para você. Eu sou o máximo, não sou?
  2. Eu sempre saberei a senha dele.
  3. Se ele tocar, atenda. Ele é um telefone. Diga “alô” e seja educado. Nunca ignore uma chamada se você ler na tela do celular “Mãe” ou “Pai”. Jamais.
  4. Entregue o telefone para um de seus pais exatamente às 19:30h todas as noites nos dias de escola e às 21:00h todos os finais de semana. Ele ficará desligado durante a noite e será religado na manhã seguinte às 7:30h. Se você não faria uma chamada para o telefone fixo de alguém, porque os pais dessa pessoa poderiam atender antes dela, então não ligue e não mande mensagem de texto. Ouça esses instintos e respeite as outras famílias como nós gostaríamos de ser respeitados.
  5. O telefone não vai para a escola com você. Converse pessoalmente com as pessoas com as quais você trocaria mensagens de texto. Isso faz parte da vida. * Dias escolares de meio período, excursões da escola e atividades pós-escola requererão   considerações especiais.
  6. Se ele cair no vaso sanitário, se espatifar no chão ou desaparecer no ar, você será responsável pelos custos de outro aparelho ou de consertos. Corte grama, seja babysitter, guarde dinheiro que ganhar de aniversário. Essas coisas irão acontecer e você deve se preparar.
  7. Não use essa tecnologia para mentir, fazer de bobo ou enganar outro ser humano. Não se envolva em conversas que sejam prejudiciais a outros. Seja um bom amigo primeiro ou fique fora da linha de tiro.
  8. Não envie mensagens de texto, emails ou diga nada através desse aparelho que você não diria pessoalmente.
  9. Não envie mensagens de texto, emails ou diga nada para ninguém que você não diria em voz alta e na presença dos pais da pessoa. Faça uma autocensura.
  10. Nada de pornografia. Procure informações na Internet que você compartilharia comigo sem problemas. Se você tiver uma pergunta sobre algo, pergunte para uma pessoa, de preferência para mim ou para seu pai.
  11. Desligue-o, coloque-o no silencioso e guarde-o em público. Especialmente num restaurante, no cinema ou enquanto estiver conversando com outro ser humano. Você não é mal educado, portanto não deixe que o iPhone mude isso.
  12. Não envie ou receba fotos das suas partes intimas ou das partes intimas de mais ninguém. Não ria. Chegará o dia em que você será tentado a fazer isso, apesar da sua grande inteligência. Isso é arriscado e poderia arruinar a sua vida na adolescência, na faculdade e na idade adulta. Isso é sempre uma má ideia. O ciberespaço é muito vasto e mais poderoso do que você. E é muito difícil fazer qualquer coisa dessa magnitude desaparecer, inclusive uma má reputação.
  13. Não tire um zilhão de fotos e nem filme tudo. Não há necessidade de documentar tudo. Viva suas experiências. Elas ficarão guardadas na sua memória para sempre.
  14. Deixe o seu celular de lado algumas vezes e sinta-se seguro com essa decisão. Ele não está vivo e nem é uma extensão de você. Aprenda a viver sem ele. Seja maior e mais poderoso do que o seu medo de ficar de fora do que está acontecendo.
  15. Faça download de músicas que sejam novas ou clássicas ou diferentes das milhões de músicas que todos os seus amigos ouvem. Sua geração tem acesso à música como nunca nenhuma outra geração teve na história. Tire vantagem desse privilégio. Expanda seus horizontes.  
  16. Jogue games com palavras, quebra-cabeças ou desafios para o cérebro sempre que puder.
  17. Mantenha seus olhos elevados. Veja o que está acontecendo ao seu redor. Olhe pela janela. Ouça os pássaros. Faça uma caminhada. Converse com alguém que ainda não conhece. Pergunte-se sem perguntar para o Google.  
  18. Você vai se atrapalhar com as regras. Eu vou tirar o celular de você. Nós vamos sentar e conversar sobre isso. Nós iremos recomeçar. Você e eu estaremos sempre aprendendo. Eu estou do seu lado. Nós estamos juntos nisso.

Eu espero que você esteja de acordo com essas regras. Muitas das lições dessa lista não são apenas para o iPhone, mas são para a vida. Você está crescendo rápido num mundo em constante mudança. Isso é excitante e tentador. Tente simplificar sempre que puder. Confie mais na sua mente poderosa e no seu imenso coração do que em qualquer máquina. Eu amo você. Eu espero que você curta o seu incrível iPhone novo. Feliz Natal!

Bjs e abraços,

Mamãe

Minha esperança é que tanto o contrato de Janelle e Gregory, como as tristes histórias bíblicas de omissão da responsabilidade dos pais sobre os filhos, inspire pais a assumirem o compromisso de cuidar de seus filhos diante dos novos desafios que o mundo nos apresenta. 

Anúncios

Pecado e Preconceito

Parece até título de livro ou filme, mas não é. É uma forma de discutirmos homossexualidade e homofobia do ponto de vista bíblico e cristão com nossos pré-adolescentes e adolescentes. Esse é um assunto sério e do momento pois todas as mídias estão falando disso e como cristãos, nossos adolescentes precisam ter um posicionamento bíblico, mas jamais preconceituoso sobre o assunto.

Não precisamos pesquisar muito a Bíblia para encontrar vários textos bíblicos que apontam a homossexualidade como pecado: Gn 19:4-11; Lv 18:22; Rm 1:26-28; 1 Co 6:9-11. Infelizmente quando muitos pastores e líderes cristãos se pronunciam publicamente sobre esse pecado, ele se esquecem de que nós, cristãos, também somos pecadores e cometemos outros pecados, até outros tipos de pecados sexuais. A Bíblia, que é nossa regra de fé, nos diz o que é pecado e também nos diz em muitos vesículos que TODOS NÓS SOMOS PECADORES (Ec 7:20; Jo 8:7-9; Rm 3:10) e não apenas os homossexuais. Por isso, e com certa razão os homossexuais se sentem ofendidos e discriminados pelos cristãos.

Como líderes, pastores e pais de adolescentes cabe à nós ensinar à essa Nova Geração o que é pecado sexual, o que desagrada a Deus na nossa vida sexual, como adultério, sexo fora do casamento, homossexualidade e tudo o que está fora dos planos Dele para o sexo. Mas não nos cabe julgar. Por que acolhemos mais facilmente o casal de adolescentes ou jovens que está praticando sexo fora do casamento, mas não acolhemos o adolescente ou jovem homossexual? Por preconceito.

O capítulo 2 da Carta de Tiago nos diz claramente que discriminação ou preconceito desagrada a Deus, ou seja, é pecado. Entendam bem, há uma grande diferença entre não discriminar o pecador e aceitar o pecado. Homossexualidade e preconceito ou discriminação são pecados segundo a Bíblia. Entretanto a Bíblia também nos diz que Deus ama o pecador. “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.” Romanos 5:8 

Precisamos nos posicionar sobre os pecados sexuais diante dos nossos adolescentes com uma teologia firme e com o amor do Senhor Jesus Cristo. O conhecido versículo de 1 João 1:9 nos afirma que Deus perdoa os pecados confessados e sabemos que não há pecados imperdoáveis quando há confissão e arrependimento.
Quanto à homossexualidade, há o forte argumento de que alguns homossexuais já nascem assim, ou nascem com uma predisposição para a homossexualidade. Nesse aspecto é importante lembrar que todos nós nascemos com uma predisposição para o pecado, porque como já dizia Renato Russo na música Indios “Nos deram espelhos e vimos um mundo doente”. Sim, até o poeta popular confirma o que Gênesis 3 nos ensina: nosso mundo é doente porque todos nós nascemos com a doença do pecado. Para o homossexual é o pecado da homossexualidade, para o fofoqueiro é o pecado da fofoca, mas cada um de nós tem que lutar dia após dia com o seu próprio pecado, pois todos nós nascemos predispostos para pecar e travamos uma luta diária com o pecado.

Há um ministério incrível nos Estados Unidos, chamado Marin Foundation, criado e dirigido pelo jovem Andrew Marin que trabalha à mais de 10 anos com homossexuais. Certa vez, assisti um de seus cursos pela Internet e quando perguntado por alguém da platéia sobre o seu sucesso em se comunicar tão bem com a comunidade gay, apesar de dizer claramente para eles que homossexualidade é pecado ele repondeu mais ou menos assim: “Quando os primeiros homossexuais começaram a frequentar meus estudos bíblicos na faculdade, lhes fiz essa mesma pergunta e um deles me disse que sempre ouviu os cristãos lhe dizerem que homossexualidade era pecado, mas que eu havia sido o primeiro cristão a lhe dizer que Deus o amava mesmo assim.” Simples como a Palavra de Deus, não é. Se você quiser ler um pouco mais sobre Marin em português, acesse esse link.

Quero terminar esse post deixando para vocês um excelente material do Professor e Pastor Luiz Sayão. para acessar o audio clique aqui e para acessar o texto clique aqui. A revista americana Group, especializada em Ministério com Adolescentes e Jovens trouxe na sua edição de Julho/Agosto matérias especiais sobre Pecados Sexuais e você pode acessá-las nesse link.

Além disso, dia 21/07/2011 às 12h (horário de Brasilia) você pode participar de um Video Webcast com Discussão e Chat sobre Pecados Sexuais ao vivo direto de Denver nos EUA através deste link. Basta acessar e estar com o inglês afiado.

Se você tem mais idéias, outros links sobre o assunto e quiser compartilhar conosco é só deixar seu comentário aqui para que possamos construir juntos um Novo Tempo para o Ministério de Adolescentes no Brasil!   

Convocação para um Novo Ministério de Adolescentes

Acampamento de Pré-Adolescentes em Maio de 2008

Acampamento com Pré- Adolescentes em Maio de 2008

Ter como propósito servir ao Reino através do Ministério de Adolescentes (garotada de 11 à 17 anos) é um tremendo privilégio, mas é dureza. Não que seja fácil servir ao Reino em outros ministérios, mas se você está a algum tempo trabalhando com essa galera, sabe bem do que eu estou falando.

Se você acompanha meu blog, notou que minhas postagens ficaram bem espaçadas nos últimos tempos e se achou que eu estava desanimada, acertou em cheio. Estava mesmo, mas estou voltando com força total e quero convocar todos vocês que se dedicam a trabalhar com pré-adolescentes e adolescentes a sonhar comigo sobre um novo tempo para esse Ministério no nosso país. Sim, sou uma sonhadora e sei que muitos de vocês que estão lendo esse texto aí do outro lado da tela do computador também são e juntos podemos fazer com que esses sonhos se tornem realidade.

Sabemos que no nosso Brasil, o Ministério de Adolescentes não é considerado um ministério de “primeira classe” ou prioritário, como diriam outros. E isso não é privilégio só do nosso país. Assisti essa semana um documentário na Internet, DIVIDED, que tenta provar a tese que o Ministério de Adolescentes não é bíblico e por isso nem deveria existir! Bem, há coisas boas nesse documentário e ele sozinho renderia um post inteiro, mas a sua idéia geral para mim é inconcebível.

Pequenos Grupos de Adolescentes em Outubro de 2010

Minha experiência pessoal, como já disse, chega a ser desencorajadora. Já ouvi, como um elogio, que era muito qualificada para trabalhar com a garotada de 11 à 17 anos porque tenho Master of Divinity ou M.Div. em Estudos Bíblicos e Pastorais, e por isso deveria me dedicar ao Ensino de adultos. Quando fui dispensada da igreja onde exercia a função de Coordenadora de Ensino da Nova Geração, ouvi da liderança que minha função era luxo ao qual a igreja não podia se dar num momento de crise financeira. Quando minha equipe questionou a liderança sobre o futuro do Ministério, a resposta foi de que, ele poderia ser “tocado” por voluntários da melhor maneira que fosse possível. Ou seja, outros ministérios da igreja precisavam de pessoas qualificadas, mas o Ministério de Adolescentes não. E isso não aconteceu porque era nessa igreja específica. Não quero generalizar, portanto digo que isso aconteceria em 99% das igrejas brasileiras.

Mas chegou um Novo Tempo para os Ministérios Infantis,  Ministérios de Adolescentes e Ministérios de Jovens no nosso país. Esses ministérios precisam de pessoas com um chamado sério, preparadas, com uma base teológica sólida porque tem uma missão seriíssima à cumprir.

Como escrevi em um Editorial do dia 28/02/2010 para a igreja onde trabalhava repito aqui:

“Antes de enviar seus discípulos para curar as pessoas física e espiritualmente Jesus lhes disse que as multidões “estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor.” (Mt 9:36) Essa descrição de 2 milênios atrás aplica-se perfeitamente às crianças, adolescentes e jovens de hoje. Basta olhar nas nossas escolas, nas faculdades, nos shoppings, nas baladas, nas praias, enfim em todos os lugares que multidões da Nova Geração ocupam. 

 A Bíblia usa muitas e muitas vezes a expressão “de geração em geração”, para deixar bem claro que uma geração é responsável pela geração que vem a seguir em versículos como esse de Juízes 2:10-11:

10 Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o SENHOR e o que ele havia feito por Israel.

11 Então os israelitas fizeram o que o SENHOR reprova e prestaram culto aos baalins.

Que triste saber que uma geração inteira se afastou dos caminhos do Senhor porque a geração responsável por ela não cuidou dela como deveria. Mas é ainda mais triste perceber que a geração atual está cometendo os mesmos erros com a Nova Geração. Somos rápidos em apontar o dedo para os erros dos nossos adolescentes e jovens, mas esquecemos das nossas responsabilidades para com eles.

É nosso dever mostrar e ensinar à Nova Geração os valores de Deus que são eternos, não mudam com o tempo, com a moda ou com a sociedade da época. E se nós como igreja não atuarmos firmemente na formação da Nova Geração ensinando os valores de Deus para eles, alguém fará isso em nosso lugar. Será que pretendemos deixar a formação da Nova Geração para a escola, para os amigos, para a TV, para o cinema ou para a Internet?”

Líderes e Pastores de Adolescentes não são recreadores ou pessoas com o dom de entreter essa faixa etária. Eles são servos de Deus, chamados por Ele, que buscam se equipar estudando a Palavra de Deus, a cultura e o comportamento dessa faixa etária para ajudar os pais na tarefa de ensinar a Palavra de Deus aos seus filhos e acompanhar a vida espiritual deles.

Por isso estou convocando vocês, líderes, pastores e voluntários que trabalham com adolescentes; pais de adolescentes e outros cristãos que lêem esse blog e estão envolvidos no trabalho com essa Geração de Pode Mudar o Mundo, a elevar esse Ministério à um patamar mais alto, que esse seja um Ministério prioritário para a igreja de hoje e que seja tão importante quanto os outros ministérios da igreja, cuidado por pessoas capacitadas. 

Se você aceitar essa convocação, deixe um breve comentário aqui, clique no like, repasse esse link para outros líderes, enfim, ajude a criar esse novo tempo. 

Quem está perdendo essa guerra?

Se você começou a ler esse post pensando que eu vou falar algo sobre a morte do Bin Laden ou sobre a guerra ao terrorismo, errou. Também não vou falar de nenhuma guerra espiritual.

É com muita tristeza que volto a falar da guerra contra o alcoolismo entre os nossos adolescentes e jovens e é com mais tristeza ainda que constato que são nossos filhos, nossos adolescentes e nossos jovens que estão perdendo essa guerra. Confesso que fiquei surpresa e desapontada ao constatar que o menor número de acessos que esse blog já teve, foi quando o assunto tratado era o alcoolismo entre os adolescentes. Quase não acreditei.

Semana passada, logo depois de ter postado a segundo parte do post “Adolescentes e Álcool: Mistura que Não Desce Redondo” tive a oportunidade de conversar com dois amigos muito queridos e verdadeiros especialistas na área. Um é o Dr. Maurício Gattaz, que além de amigo é o médico da minha família, profissional extremamente competente, e um dos que combate a praga do alcoolismo no Brasil. Além de apontar o álcool com grande vilão da saúde no Brasil, ele disse que os números mostram que a maior parte das mortes violentas estão associadas ao álcool. Vocês poderão ler mais sobre isso nos links que indicam os artigos escritos por ele para leigos como nós.

O outro amigo foi um dependente químico durante sua adolescência e parte da juventude e hoje encontra-se completamente recuperado. Na mesma conversa com o Dr. Maurício, esse amigo, que experimentou todas as drogas disponíveis no seu tempo, nos confessou que a pior de todas elas é sem dúvida o álcool. Ao contrário do que muitos dizem que o álcool é a porta de entrada para outras drogas, ele nos disse que o álcool é a própria droga.

E nós como igreja, o que estamos fazendo? Fechamos nossos olhos para esse problema ou falamos sobre ele uma vez por ano? Nos enganamos achando que nossos adolescentes não estão nessa? Que espaços abrimos para tratar do assunto com eles e com seus pais? O quanto sabemos do envolvimento deles com bebidas alcoólicas?

Vocês já leram essa reportagem da Revista Veja que diz que o adolescente brasileiro começa a beber em média com 12 anos? Isso é simplesmente assustador quando os especialistas nos dizem que o álcool leva à perda do juízo crítico em relação à sexualidade e à violência. Isso significa que podemos falar horas e horas para nossos adolescentes que o sexo é um grande presente de Deus para nós para o casamento, mas eles vão tomar a decisão de fazer sexo quando estão alcoolizados e perderam seu juízo crítico.

Como disse no começo, a situação é de uma verdadeira guerra e já sabemos quem está perdendo. Quando vamos inverter essa situação? A Palavra de Deus traz inúmeras advertências sobre o mau uso do álcool e nós precisamos ajudar os pais e aproveitar o tempo que temos com eles para discutir esse assunto.

Por que será que entre os Ais de Isaías ele incluiu esse: “Ai dos que são campeões em beber vinho e mestres em misturar bebidas,” Isaías 5:22 . Isso já dá para começar uma boa conversa, não dá?

RESULTADO DA ENQUETE

Alguns pais acham que oferecer bebida alcoólica aos seus filhos menores de idade em casa é uma forma de inibir o consumo dessas bebidas por eles fora de casa.
Concordo totalmente. 0%
Não concordo. 80%
Concordo parcialmente, pois acho arriscado.20%

Vale lembrar da pesquisa que já mencionei do Dr. George E. Vaillant, um professor de psiquiatria na Harvard University, que em 1983 comparou 136 homens alcoólatras com homens que não eram alcoólatras. Aqueles que cresceram em famílias onde o álcool era proibido na mesa, mas era consumido fora de casa sem a comida, tiveram 7 vezes mais chances de tornaram-se alcoólatras  do que aqueles que vieram de famílias onde o vinho era servido nas refeições, mas bebedeiras não eram toleradas de forma alguma.


Adolescentes e Álcool: Mistura que Não Desce Redondo (Parte 2)

O alcoolismo entre adolescentes e jovens tem proporções epidêmicas no Brasil e a Igreja Brasileira precisa começar a agir imediatamente. Não podemos esquecer as outras drogas, mas é muito importante lembrar que nossos jovens não são bombardeados por comerciais de cocaína, crack ou maconha na TV, revistas ou Internet. Mas eles são constantemente bombardeados por comerciais muito bem feitos de bebidas alcoólicas, onde os famosos e jovens aparecem se divertindo em lugares maravilhosos e em situações incríveis. Tudo parece dizer: beba, pois beber é ótimo.

Como prometi no último post, aqui vão mais dicas para lutar contra essa epidemia.

  • Ensine que a Bíblia não proíbe o consumo de bebidas alcoólicas pelos cristãos. Embora muitos cristãos pensem assim, as Escrituras não trazem essa proibição ou o primeiro milagre de Jesus ao transformar água em vinho seria uma total incoerência (João 2:1-11). A Bíblia nos adverte a nos mantermos longe do álcool para evitarmos a embriaguez (Pv 20:1; 23:29-35 ; Efésios 5:18), que é condenada por Deus. Entretanto pela lei brasileira, como já dissemos no post anterior, bebidas alcoólicas são proibidas para menores de 18 anos e isso não se discute.
  • Traga pessoas que já tiveram problemas com álcool para dar seu testemunho para os adolescentes.  Essas histórias podem ser muito fortes e tristes, mas tem um impacto tremendo para os adolescentes e jovens. Eles poderão ouvir e ver o potencial de destruição que o álcool tem em vidas de pessoas como eles. Vídeos e filmes sobre histórias reais também podem ajudar.
  • Trabalhe em conjunto com os pais para que eles saibam como lidar com seus filhos em casa. Não me compreendam mal, mas é papel dos pais “ensinar” seus filhos a beberem com responsabilidade ao invés de os atirarem ao mundo aí fora sem nenhuma instrução. Dr. Paul Steinberg, um psiquiatra de Washington diz que a idade mais perigosa para um jovem é aquela em que ele pode beber álcool legalmente sem qualquer supervisão (21 anos nos EUA). Muitos jovens caem com tudo na bebida e por isso ele sugere que os pais comecem a introduzir o vinho nas refeições em família como prevenção à esse tipo de comportamento.

Dr. George E. Vaillant, um professor de psiquiatria na Harvard University, publicou The Natural History of Alcoholism (A História Natural do Alcoolismo) em 1983 onde comparou 136 homens alcoólatras com homens que não eram alcoólatras. Aqueles que cresceram em famílias onde o álcool era proíbido na mesa, mas era consumido fora de casa sem a comida, tornaram-se alcoólatras 7 vezes mais do que aqueles que vieram de famílias onde o vinho era servido nas refeições, mas bebedeiras não eram toleradas de forma alguma.

É claro que em famílias onde o alcoolismo já é um problema conhecido, esse procedimento não deve ser empregado, pois é cientificamente sabido que há uma predisposição genética para o alcoolismo.

Talvez esse procedimento possa causar espanto ou escândalo para alguns de vocês, mas preciso dizer que foi esse o procedimento que meu marido e escolhemos para nossa família. Perto dos 18 anos, nossos 3 filhos começaram a ter acesso a uma limitada quantidade de bebida alcoólica sob a nossa supervisão durante as refeições. E bebedeiras eram terminantemente proibidas. Escolhemos fazer isso sem conhecer essas pesquisas, mas porque fomos educados assim e os resultados foram bons em nossas famílias de 4 e 5 filhos.

Meus filhos podiam ir às festas desde os 15 anos com a condição de que nós fossemos buscá-los, pois assim poderíamos checar se eles haviam bebido ou não. Eles sabiam que uma bebedeira não seria tolerada e apenas 1 deles quebrou nossa confiança e bebeu demais uma vez aos 17 anos. Por isso ficou sem sair por 3 meses justamente numa época de festas de formatura, que ele perdeu sob protestos, choros e até greves de fome, mas perdeu e aprendeu.

  • Encontre voluntários que possam estar mais próximos dos seus adolescentes. Há uma grande chance de que metade dos adolescentes do seu grupo esteja enfrentando problemas com álcool, mas fica muito difícil detectar isso num grupo grande. Por isso, precisamos muito de adultos ou jovens adultos cristãos com uma vida séria com Deus que possam acompanhá-los mais de perto. Ore e procure por essas pessoas. Ore para que a sua congregação entenda que a geração mais velha é sim responsável pela geração mais nova (Juízes 2:10)
Lutar contra a epidemia do alcoolismo entre os adolescentes não é fácil, mas é nossa tarefa e com a ajuda de nosso Deus e joelhos no chão precisamos continuar nessa luta!

Adolescentes e Álcool: Mistura que Não Desce Redondo (Parte 1)

Num mundo de tantas tragédias, como a do Massacre em Realengo, pensei que não me comoveria facilmente tão cedo, mas o programa Profissão Repórter do dia 19/04 sobre Jovens e Consumo de Álcool no Brasil me deixou profundamente triste e preocupada. Não assisti à um massacre, mas vi milhares de jovens e adolescentes destruindo lentamente suas vidas e seus futuros através do consumo excessivo de álcool. Se você não assistiu ao programa, só vai ter a real dimensão do que eu estou falando assistindo as cenas chocantes na Internet.

As pesquisas mostram que no Brasil, dos adolescentes entre 12 e 17 anos, 48,3%, já beberam alguma vez na vida. Desses, 14,8% bebem regularmente e 6,7% são dependentes de álcool.

Além disso, 46% dos adolescentes entre 14 e 17 anos consomem bebidas alcoólicas no nosso país. O dado é de um estudo recente da ONU, que mapeou a ingestão de álcool entre os jovens de nove países da América Latina. Ficamos atrás apenas da Colômbia, com 51,9%, e do Uruguai, com 50,1%.

O alcoolismo entre jovens e adolescentes no Brasil se transformou numa epidemia, mas nem tudo está perdido. Podemos e devemos combater o mais depressa possível essa praga que está destruindo nossos adolescentes e jovens. O jornal gaúcho Zero Hora publicou em uma edição recente que Pesquisa feita nos Estados Unidos mostra que o envolvimento religioso pode diminuir o uso abusivo de álcool na juventude”.

Então minha grande pergunta é: O que a Igreja Brasileira está fazendo para combater isso? Qual é a diferença que a Igreja está fazendo nas vidas desses adolescentes e jovens no combate ao alcoolismo? 

Tenho algumas contribuições para que possamos começar a pensar e discutir esse assunto tão importante:

  • Reconheça que o problema existe e está afetando nossos adolescentes. Se 46% dos adolescentes consomem bebidas alcoólicas regularmente, esse problema deve está acontecendo dentro de nossas Igrejas e lares. Não podemos nos enganar e achar que estamos imunes ou distantes do problema.
  • Comece a discutir o assunto o mais cedo possível. O problema do alcoolismo deve ser tratado já com pré-adolescentes ou com a galerinha à partir dos 10 anos. Outro dia, lendo um artigo do Dr. Walt Mueller, um estudioso da cultura teen nos EUA, ele dizia que falamos muito para as crianças sobre drogas, para não aceitarem doces ou bebidas de estranhos, mas acabamos deixando de falar do álcool, que é provavelmente a primeira droga à que elas terão acesso. Além disso, as pesquisas mostram que adolescentes que começaram a beber antes dos 15 anos tem 5 vezes mais propensão a se tornarem alcoólatras do que os jovens que tem o primeiro contato com a bebida depois da maioridade.
  • Converse abertamente com eles sobre a lei da proibição de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos e os danos que a bebida causa ao cérebro em crescimento. É importante que eles saibam que em nosso país é proibido por lei o consumo de bebidas alcoólicas por menores de 18 anos, estejam eles acompanhados ou não de um maior de idade. Como cristãos devemos obedecer a lei e não cabe discutir se ela é justa ou não. (Rm 13:1-3) Mas essa lei também tem um embasamento científico, pois é comprovado que o álcool pode trazer danos irreversíveis à saúde do menor de 18 anos.
Há ainda muito o que discutir sobre esse assunto e muitas mais dicas para dar aos líderes e pais. Portanto, resolvi dividir esse post em 2 partes e na parte 2 vou dar mais dicas e compartilhar mais as minhas experiências de mãe de 3 jovens que já passaram por esse doce, mas conturbado período da adolescência e também tiverem que enfrentar essa tentação e pressão do grupo em relação ao álcool. Também vou propor uma enquete e sua participação é muito importante. Perguntas e outras contribuições também são importantes para a Parte 2 desse Post, portanto sinta-se a vontade para participar.

Como Ajudar a Garotada a Lidar com a Tragédia da Escola no Rio de Janeiro

Hoje o Brasil parou e se comoveu com a tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira no Rio de Janeiro. As estações de TV, rádio e Internet não pararam de dar informações, mostrar imagens e entrevistas durante o dia todo. Vivemos quase que em tempo real todo o drama daqueles adolescentes e suas famílias.

Além do sentimento de dor e compaixão também fui tomada pela preocupação: como nossas crianças e adolescentes vão lidar com uma tragédia tão próxima de deles e de parte tão importante do dia a dia deles,  que é a escola. É nesses momentos de crises que líderes critãos e pais devem buscar na Bíblia as respostas para as dúvidas que surgirão.

Se vocês estão preocupados em como começar a abordar o assunto com seu grupo de adolescentes ou seus filhos, podem deixar essas preocupações de lado. As perguntas e questionamentos virão naturalmente da parte deles: “Por que Deus deixou que aquelas crianças morressem?” “Onde Deus estava quando aquele assassino estava atirando em todo mundo?” “Como posso ter certeza que isso não vai acontecer na minha escola?” Preparem-se para as perguntas e conversas com a ajuda dessas dicas:

  1. Estejam dispostos a conversar sobre a violência com eles. Permitam que eles falem sobre a violência e sobre o que mais os deixou assustados ou preocupados. Muitas vezes as crianças e adolescentes tem a tendência a fantasiar e achar que os mesmos atos de violência vão acontecer com eles.
  2. Não substimem o medo deles e reafirmem a proteção que Deus nos dá. Entendam os medos deles, que são reais e tem fundamento, mas lembrem-nos de que Deus está sempre com eles. Leiam alguns versículos com eles como Sl 23:4, Sl 27:1-3 e Is 43:1.
  3. Estejam atentos às questões espirituais deles. Situações de crises vão trazer à tona as questões que eles tem sobre Deus, Jesus, fé, sofrimento e morte. Estejam preparados para responder perguntas como “Por que Deus permite que coisas ruins aconteçam à pessoas boas?” E para dar respostas como “Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos!”Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? ” Romanos 11:33-34
  4. Orem por todos aqueles que foram afetados pela tragédia. É uma boa oportunidade para encorajar as crianças e adolescentes a orarem. Isso ajuda a reforçar a fé deles no amor e no poder de Deus para curar aqueles que foram feridos.