Série: Adolescentes e as Redes Sociais Família e as Redes Sociais

As influências negativas das más companhias são conhecidas há muito tempo e a Bíblia nos traz textos que falam sobre isso (Provérbios 13:20; 1 Coríntios 15:33). Quando pensamos nas más companhias hoje, precisamos lembrar que esse universo se expandiu exponencialmente com a Internet, redes sociais e jogos online. Afinal, com quem ou com o quê nossos adolescentes passam a maior parte do seu tempo?

Se nossos filhos estão passando mais tempo online do que offline, também é inegável que nossa cultura está esquecendo o que é estar junto como família. Embora possamos culpar as múltiplas atribuições dos pais e filhos por isso, as telinhas de nossos smartphones são fatores quase que determinantes para isso.

O convívio com a tecnologia se tornou tão absurdo que aquilo que era atípico, virou normal, como filhos em seus quartos mandando mensagens de texto pela Internet para os pais que estão na sala. Isso pode parecer interação, mas não é uma interação real.

Thakkar's texting aroud their children

Rakesh Thakkar e Sharmila Rao Thakkar participaram de um teste informal para medir a interação verbal com seus filhos Anika (5) e Shiv (2) com e sem smartphones e  laptops. Foto de Michelle Litvin para The New York Times, 2010.

Em uma cultura fragmentada como a nossa, crianças e adolescentes tem cada vez menos tempo de contato com adultos e não aprendem as regras e normas da sociedade. As redes sociais acabam piorando esse quadro porque através delas crianças e adolescentes estão aprendendo sobre interações sociais interpessoais sem a oportunidade de ter a influência das interações reais com adultos.

Adolescentes acabam sofrendo influência somente de outros adolescentes para determinar valores e praticas aceitos socialmente. Os pais ficam reduzidos ao papel de policiamento dos filhos. Essa diferença de valores, regras e normas aumenta a separação e fragmentação entre faixas etárias. Adolescentes formam microculturas que excluem os pais. Os pais precisam se tornar missionários nessas microculturas para entender e se engajar no mundo dos adolescentes.

A pesquisadora do MIT, Dra. Sherry Turkle, diz que “A tecnologia entra na vida de uma pessoa de uma forma negativa quando as relações pessoais não ocupam seu devido lugar”. E é isso que está acontecendo nas famílias por parte dos pais e por parte dos filhos. Ou não conhecemos pais que não desgrudam os olhos do celular?

Não podemos deixar que a tecnologia afaste as gerações e para isso as interações no mundo real precisam ser mais intencionais, graciosas e compreensivas.

Nosso foco tem que estar nas pessoas e a tecnologia digital deve ser mais uma ferramenta para a interação real.

Dicas

Participe – Muitos pais criticam as redes sociais, mas poucos estão dispostos a participar delas com o objetivo de interagir com seus filhos e não de vigiá-los. Precisamos entender a importância de participar com eles. Só assim poderemos ajudá-los a começar a formar um olhar crítico sobre essas coisas.

Dialogue – Conversas reais são muito importantes. Eles precisam ouvir como nós articulamos nossos pensamentos para que comecem a aprender a articular os deles. Assim eles não serão consumidores passivos de qualquer tipo de mídia. Eles aprenderão a questionar o que veem ou ouvem nas redes sociais.

Seja o exemplo – Não limite o tempo online apenas dos seus filhos. Limite o seu próprio tempo nas redes. Nossos filhos aprendem muito mais pelo nosso exemplo do que pelas nossas palavras.    

O nosso objetivo é ter um bom relacionamento com nossos filhos. A Internet, redes sociais e outras mídias permeiam nossas vidas e relacionamentos, mas não podem substituí-los.

Que a tecnologia não seja um divisor nas nossas famílias, mas uma plataforma onde a família pode se conectar e se beneficiar.

8Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.

Filipenses 4:8

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Série: Adolescentes e as Redes Sociais Adolescentes e as Redes Sociais

mensagem de texto adolescentes

Imagem cortesia de Ambro em  FreeDigitalPhotos.net

Os pais de adolescentes se perguntam por que seus filhos não falam ao telefone como eles faziam nessa idade. Na época deles uma das maiores preocupações dos pais era que os filhos mantivessem ocupada a única linha telefônica da casa e o preço da conta telefônica. Hoje nos preocupamos com o fato deles poderem perder a habilidade de conversar no mundo real e de olhar nos olhos das pessoas quando falam.

Nós não conseguimos acompanhar a vida digital deles. É muito difícil acompanhar o que eles fazem online porque a velocidade com que aparecem novas ferramentas digitais, aplicativos e outras tecnologias é muito grande. Esses avanços ajudam os adolescentes a diversificar suas práticas online e a mergulhar cada vez mais fundo no mundo digital.

Adolescentes estão passando do pensamento concreto da infância para o pensamento abstrato da vida adulta. Mas eles ainda não desenvolveram completamente o “eu interior” autônomo ou uma identidade central que integra os comportamentos deles nos vários contextos relacionais que vivem.

Eles já sabem que suas ações podem afetar os outros, mas ainda não tem a experiência de vida que nos dá uma perspectiva realista da complexidade e nuances da comunicação e dos relacionamentos humanos. Por isso podem acabar postando coisas que nos chocam.

Temos a expectativa de que os adolescentes devem agir como adultos no mundo digital. Mas eles ainda não são adultos e não estão cientes das consequências de suas interações online, especialmente com aqueles que não fazem parte do seu círculo de amigos mais chegados.

Likes

Vários estudos nos mostram como os cérebros dos adolescentes reagem nas redes sociais. Já sabemos, por exemplo, que os mesmos circuitos cerebrais que são ativados quando comem chocolate ou ganham dinheiro, também são ativados quando os adolescentes veem um grande número de “likes” numa foto que postaram ou que seus amigos mais próximos postaram numa rede social.

Um desses estudos foi feito com trinta e dois adolescentes de 13 a 18 anos no Centro de Mapeamento Cerebral da Universidade da California em Los Angeles – UCLA.

Ciclo da DopaminaOs “likes” promovem uma liberação de dopamina, e isso provoca um ciclo vicioso como o da droga: quanto mais você usa, mais quantidade seu corpo exigirá para se satisfazer. Isso explica a necessidade que eles sentem de compartilhar,  atualizar o status e visualizar todo o tempo suas postagens para ver o que os outros vão falar a seu respeito.

Para isso expõem o que estão sentindo, para onde estão indo, o que estão comendo e o que pensam. E vale até forjar a felicidade ou a desgraça no mundo virtual para conseguir um maior número de “likes”.

Não podemos dizer que já possa ser caracterizado como um vício, mas precisamos ficar muito atentos. O cérebro sofre um processo de amadurecimento que só é finalizado após os 21 anos. A região do córtex pré-frontal é a última área a se desenvolver completamente.  Essa região é responsável pelo nosso raciocínio lógico e também pelo controle dos impulsos, é nosso freio comportamental.

Nesse mesmo estudo, também se observou que os adolescentes acabam decidindo por dar “likes” em fotos com maior número de “likes”. Eles reagem de forma diferente quando percebem que outros gostaram ou não de determinada foto, como se fossem influenciados por pessoas que às vezes eles nem conhecem. Essa influência é potencializada no mundo real, por isso a pressão do grupo é tão forte.

Não é a tecnologia em si o que mais os atrai, mas sim o acesso que ela dá para que interajam com os amigos. Eles acham que as ferramentas digitais aumentam sua conectividade com os amigos, mas na realidade diminui.

Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão”. Gênesis 1:26

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Contrato do Smartphone, uma Boa Ideia!

Janelle e Gregory Hoffman

Janelle e Gregory Hoffman

Foi notícia de jornais, saiu nas redes sociais, nos mais populares programas de TV dois Estados Unidos e foi até matéria da edição do Fantástico do dia 13/01/2013. O fato de que a mãe Janelle Hoffman deu como presente de Natal um iPhone para seu filho Gregory de 13 anos, acompanhado de um contrato de uso, virou notícia.

Confesso que ao ler o contrato pela primeira vez numa rede social, me diverti e pensei que se tratava de uma brincadeira muito bem bolada. Mas, uma rápida pesquisa no Google mostrou que o fato era verídico e interessante. Sabemos que pré-adolescentes e adolescentes vivem literalmente grudados em seus Smartphones, como se eles fossem verdadeiras extensões de seus braços. Mas como os pais podem ter o controle sobre isso? Afinal, um Smartphone não é um simples brinquedo, mas um instrumento poderoso de comunicação que nos conecta e nos expõe ao mundo. Em umas da muitas reportagens sobre o caso na TV americana, Josh Shipp, um expert em comportamento de adolescentes, disse que dar um computador ou celular para um adolescente sem estabelecer regras pode ser comparado a dar um carro sem seguro para um jovem que acabou de tirar sua habilitação.

E quando nos vemos no papel de pais cristãos, sabemos da responsabilidade que Deus nos deu para cuidarmos de nossos filhos e das consequências de negligenciarmos isso. Não podemos nos omitir de nossas responsabilidades de pais como fizeram os pais de Sansão, como fez Eli ou como se omitiu Davi que depois viu a destruição de sua família. A Palavra de Deus nos mostra em vários exemplos que precisamos assumir nossas responsabilidades de pais ensinando e disciplinando nossos filhos.

Talvez a ideia de um contrato possa lhe parecer absurda ou exagerada, mas isso nada mais é do que dar limites, estabelecer os famosos “combinados” e ensinar nossos filhos no caminho que devem andar. E isso é mais importante ainda quando se trata de filhos adolescentes.

Para aqueles que não conhecem o famoso contrato, aqui está uma tradução dele. Vale lembrar que cada pai deve estabelecer seu próprio contrato ou combinado com seu filho, pois cada família tem suas características e situações próprias. Esse é o contrato da Janelle com o Gregory, filho dela e não pode ser o seu contrato com seu filho.

25/12/2012

Querido Gregory,

Feliz Natal! Agora você é o proprietário de um iPhone. Que legal! Você é um bom garoto de 13 anos e é responsável, por isso merece esse presente. Mas junto com esse presente você também receberá um regulamento e regras. Por favor, leia todo o contrato a seguir. Eu espero que você entenda que minha função é fazer com que você cresça e se torne um jovem saudável que possa conviver nesse mundo e coexistir com a tecnologia sem ser dominado por ela. Uma falha no cumprimento da lista de regras à seguir resultará no término do seu direito à propriedade desse iPhone.

Eu amo você muito e espero trocar milhões de mensagens de texto com você no futuro.

  1. Esse é meu celular. Eu o comprei. Eu paguei por ele. Eu estou emprestando o celular para você. Eu sou o máximo, não sou?
  2. Eu sempre saberei a senha dele.
  3. Se ele tocar, atenda. Ele é um telefone. Diga “alô” e seja educado. Nunca ignore uma chamada se você ler na tela do celular “Mãe” ou “Pai”. Jamais.
  4. Entregue o telefone para um de seus pais exatamente às 19:30h todas as noites nos dias de escola e às 21:00h todos os finais de semana. Ele ficará desligado durante a noite e será religado na manhã seguinte às 7:30h. Se você não faria uma chamada para o telefone fixo de alguém, porque os pais dessa pessoa poderiam atender antes dela, então não ligue e não mande mensagem de texto. Ouça esses instintos e respeite as outras famílias como nós gostaríamos de ser respeitados.
  5. O telefone não vai para a escola com você. Converse pessoalmente com as pessoas com as quais você trocaria mensagens de texto. Isso faz parte da vida. * Dias escolares de meio período, excursões da escola e atividades pós-escola requererão   considerações especiais.
  6. Se ele cair no vaso sanitário, se espatifar no chão ou desaparecer no ar, você será responsável pelos custos de outro aparelho ou de consertos. Corte grama, seja babysitter, guarde dinheiro que ganhar de aniversário. Essas coisas irão acontecer e você deve se preparar.
  7. Não use essa tecnologia para mentir, fazer de bobo ou enganar outro ser humano. Não se envolva em conversas que sejam prejudiciais a outros. Seja um bom amigo primeiro ou fique fora da linha de tiro.
  8. Não envie mensagens de texto, emails ou diga nada através desse aparelho que você não diria pessoalmente.
  9. Não envie mensagens de texto, emails ou diga nada para ninguém que você não diria em voz alta e na presença dos pais da pessoa. Faça uma autocensura.
  10. Nada de pornografia. Procure informações na Internet que você compartilharia comigo sem problemas. Se você tiver uma pergunta sobre algo, pergunte para uma pessoa, de preferência para mim ou para seu pai.
  11. Desligue-o, coloque-o no silencioso e guarde-o em público. Especialmente num restaurante, no cinema ou enquanto estiver conversando com outro ser humano. Você não é mal educado, portanto não deixe que o iPhone mude isso.
  12. Não envie ou receba fotos das suas partes intimas ou das partes intimas de mais ninguém. Não ria. Chegará o dia em que você será tentado a fazer isso, apesar da sua grande inteligência. Isso é arriscado e poderia arruinar a sua vida na adolescência, na faculdade e na idade adulta. Isso é sempre uma má ideia. O ciberespaço é muito vasto e mais poderoso do que você. E é muito difícil fazer qualquer coisa dessa magnitude desaparecer, inclusive uma má reputação.
  13. Não tire um zilhão de fotos e nem filme tudo. Não há necessidade de documentar tudo. Viva suas experiências. Elas ficarão guardadas na sua memória para sempre.
  14. Deixe o seu celular de lado algumas vezes e sinta-se seguro com essa decisão. Ele não está vivo e nem é uma extensão de você. Aprenda a viver sem ele. Seja maior e mais poderoso do que o seu medo de ficar de fora do que está acontecendo.
  15. Faça download de músicas que sejam novas ou clássicas ou diferentes das milhões de músicas que todos os seus amigos ouvem. Sua geração tem acesso à música como nunca nenhuma outra geração teve na história. Tire vantagem desse privilégio. Expanda seus horizontes.  
  16. Jogue games com palavras, quebra-cabeças ou desafios para o cérebro sempre que puder.
  17. Mantenha seus olhos elevados. Veja o que está acontecendo ao seu redor. Olhe pela janela. Ouça os pássaros. Faça uma caminhada. Converse com alguém que ainda não conhece. Pergunte-se sem perguntar para o Google.  
  18. Você vai se atrapalhar com as regras. Eu vou tirar o celular de você. Nós vamos sentar e conversar sobre isso. Nós iremos recomeçar. Você e eu estaremos sempre aprendendo. Eu estou do seu lado. Nós estamos juntos nisso.

Eu espero que você esteja de acordo com essas regras. Muitas das lições dessa lista não são apenas para o iPhone, mas são para a vida. Você está crescendo rápido num mundo em constante mudança. Isso é excitante e tentador. Tente simplificar sempre que puder. Confie mais na sua mente poderosa e no seu imenso coração do que em qualquer máquina. Eu amo você. Eu espero que você curta o seu incrível iPhone novo. Feliz Natal!

Bjs e abraços,

Mamãe

Minha esperança é que tanto o contrato de Janelle e Gregory, como as tristes histórias bíblicas de omissão da responsabilidade dos pais sobre os filhos, inspire pais a assumirem o compromisso de cuidar de seus filhos diante dos novos desafios que o mundo nos apresenta.