O Evangelho, Adolescentes e as Questões do Nosso Tempo (Parte 2)

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Foto de Flora Westbrook em Pexels

Quando penso em nossos adolescentes e jovens e na cultura que os envolve vejo aqueles chamados para alcançar essas faixas etárias, como verdadeiros missionários transculturais. Daí vem nossa necessidade de conhecer a cultura deles e procurar pontos de contato com ela.

Lembro de um professor que tive no DMin que nos dizia que precisamos falar sobre aquilo que faz nossos ouvintes perderem o sono. Entre tantas coisas que fazem nossos adolescentes perderem o sono está a sexualidade e as polemicas sobre identidade ou ideologia de gênero. Sim, são questões difíceis, que dizem respeito não somente a eles, mas também as suas famílias. Entretanto é urgente que eles conheçam a visão e os valores de Deus sobre essas questões.

Enquanto evitamos o ensino e a discussão desses temas com nossos jovens e adolescentes, as pessoas que produzem cultura popular estão atraindo essa geração com o que julgamos ser apenas diversão, para depois bombardeá-los com mensagens que visão transformar seus sentimentos, suas mentes e seus comportamentos.

Na semana passada ouvi uma respeitada psicóloga brasileira falando sobre a importância da educação sexual na escola, pois muitos pais não se sentem preparados para isso. Ela continuou dizendo que se deve respeitar os valores da família e da comunidade onde esses adolescentes e jovens estão inseridos. E logo a seguir recomendou uma série da Netflix sobre educação sexual para pais e adolescentes. Segundo ela, a série é muito instrutiva e pode ajudar os pais a começarem conversas com seus filhos para que eles desenvolvam uma sexualidade saudável.

Por respeitar muito essa psicóloga fui conferir o primeiro episódio da série que já está em sua 2º temporada e não posso concordar com a indicação da série. Além da primeira cena ser extremamente gráfica, praticamente todos os personagens adolescentes e adultos tem desvios de comportamento sexual. Os criadores da série argumentam que estão apenas retratando a realidade do mundo adolescente hoje, mas temo que a real intensão seja influenciar o comportamento dos adolescentes. Um dos personagens diz que “Todos estão pensando em transar ou estão prestes a transar ou estão transando.”

Será que nós, os cristãos, continuaremos permitindo que nossos adolescentes ouçam as mentiras sobre sexualidade? Ou iremos ensinar a verdade de Deus sobre a sexualidade para as novas gerações?

No meu novo curso, Compreendendo a Cultura Adolescente: Internet, Redes Sociais e Sexualidade, a ideia principal é compreender os pensamentos e as questões de nossos adolescentes diante da cultura do nosso tempo. Só a partir dessa compreensão é que poderemos discutir e responder, a partir de uma perspectiva bíblica, as questões que afligem as novas gerações.

Para mais informações sobre o curso e inscrições acesse o link.

O Evangelho, Adolescentes e as Questões do Nosso Tempo (Parte 1)

Foto de Engin Akyurt em Pexels

Foto de Engin Akyurt em Pexels

A evasão de adolescentes e jovens de nossas igrejas é uma triste e inegável realidade. E a situação é ainda mais triste quando nos deparamos com as explicações que as igrejas dão para isso, responsabilizando somente as novas gerações, sem ao menos considerar sua própria responsabilidade sobre essa situação.

Será que as novas gerações estão virando as costas para o Evangelho ou somos nós, como igreja, que não estamos ensinando e vivendo o verdadeiro Evangelho para eles? Estamos realmente pregando o Evangelho que fala do imensurável amor de Deus, que nos constrange a ponto de reconhecermos nossa miserável condição e nos leva a nos entregar nossas vidas a Jesus (Jo 3:16,17)? Ou pregamos o evangelho que julga, condena e exige obediência para que sejamos aceitos por Deus? Esse evangelho apequenado, que deixa de lado o amor de Deus e o perdão, esquece da graça que nos aceita como somos e é essa aceitação amorosa e misericordiosa (Ef 2:6-9) que nos leva a nos entregarmos a Deus e obedecer seus mandamentos.

Nossas igrejas, como família de Deus na terra, precisam ensinar o verdadeiro Evangelho para as novas gerações, amando-as e acolhendo-as como irmãos, pois Deus os adota como filhos por meio de Jesus Cristo (Gl 4:4-7). Não podemos nos esquecer que mesmo antes de sermos adotados como filhos, ou quando ainda éramos pecadores afastados de Deus, ele amou todos nós (Rm5:8). Dessa verdade é que vem a vocação para o amor das comunidades da fé, mas não é essa a percepção que muitos grupos da nossa sociedade, como as novas gerações, tem das igrejas cristãs evangélicas. Somos identificados com tribunais, que julgam e condenam, sem demonstrar o amor de Deus por todos.

Nossos adolescentes e jovens tem questionamentos que deveriam e poderiam ser acolhidos e abordados pelas igrejas. Mas quando nos calamos por não entendermos nossa missão para amar e proclamar, ou por não considerarmos esses assuntos “espirituais”, eles buscam respostas e acolhimento em outras comunidades no mundo real ou virtual.

No meu novo curso, Compreendendo a Cultura Adolescente: Internet, Redes Sociais e Sexualidade, a ideia principal é compreender os pensamentos e as questões de nossos adolescentes diante da cultura do nosso tempo. Só a partir dessa compreensão é que poderemos discutir e responder, a partir de uma perspectiva bíblica, as questões que afligem as novas gerações.

Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus,
os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus.
João 1:12,13

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A Cultura do (Não) Gênero

Gênero Diferença

Imagem cortesia de atibodyphoto em FreeDigitalPhotos.net

As questões de gênero e ideologia de gênero voltaram a ser assuntos muito comentados com as reações à palestra de Judith Butler essa semana no SESC em São Paulo.

Cromosoma-X-GenagenButler, que escreve sobre temas polêmicos, é uma das maiores defensoras da ideologia de gênero. Apesar de admitirem que biologicamente só existam 2 sexos determinados pelos nossos cromossomos, os defensores dessa ideologia afirmam que gênero é diferente do sexo biológico e eles podem ou não estar em concordância. Para eles, gênero é resultado de uma construção social, cultural e familiar. Por isso defendem que crianças devem ser ensinadas e educadas num gênero neutro para que possam mais tarde escolher seu gênero.

Com o objetivo de defender a liberdade de escolha, a indefinição de gênero pode acabar impondo a cultura do “não gênero” às gerações mais novas. A formação do gênero sofre influencia da cultura, do meio, da família, da educação, mas também dos genes de cada indivíduo. A maior liberação de hormônios sexuais se dar a partir da puberdade, mas há influência hormonal desde a formação do feto.

Segundo seus adeptos essa ideologia celebra a diversidade, mas na verdade ela despreza a grande diversidade entre o masculino e o feminino. Nas suas diferenças homem e mulher são frutos de um Deus criativo e nas suas similaridades são frutos de um Deus que é amoroso e compassivo com todos os seus filhos.

Não há como negar as diferenças internas e externas entre o corpo do homem e o corpo da mulher. Elas estão presentes nos órgãos sexuais, na genitália, na estrutura óssea, na distribuição da gordura corporal, no desenvolvimento da musculatura, nas feições e até mesmo no cérebro. Como não se maravilhar com a capacidade do corpo da mulher em gestar e nutrir uma nova vida! É inegável a maior força e velocidade dos corpos masculinos nas competições esportivas, assim como a maior flexibilidade e coordenação de movimentos finos dos corpos femininos.

Que possamos celebrar as diferenças entre homem e mulher porque elas não nos afastam, mas nos completam como criação de Deus!

Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

Gênesis 1:27

Links interessantes:

Série: O Que Eles Tem na Cabeça? Sexualidade e Identidade

Beijo namoro

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Por razões que vão desde a alimentação até o contexto sociocultural, é fato que crianças estão amadurecendo sexualmente cada vez mais cedo. Isso pode ser observado principalmente nas meninas e também sabemos que o cérebro não está madurecendo com a mesma rapidez. Pelo contrário, o cérebro está demorando cada vez mais para passar por esse processo do desenvolvimento.

É por isso que o envolvimento físico e sexual precoce pode ser muito bom e prazeroso para o corpo, mas muito ruim para cabeça. Em seu livro “Cérebro Adolescente: o Grande Potencial, a Coragem e a Criatividade da Mente dos 12 aos 24 Anos”, o Dr. Daniel Siegel faz um alerta aos adolescentes quando diz que se envolver sexualmente fora do contexto de uma relação confiável pode ter complicações consideráveis. Ele explica que relações sexuais provocam a secreção de oxitocina, um hormônio que intensifica os sentimentos.

Diante disso podemos entender porque garotos e garotas lidam tão mal quando esses relacionamentos precoces se intensificam ou acabam. Nos garotos isso pode intensificar o ciúme e agressão enquanto que nas garotas intensifica o apego e a obsessão romântica. Não é por acaso que observamos desequilíbrios emocionais como o aumento de reações violentas em garotos e depressão em garotas.

Há ainda outro fator importante. Os adolescentes estão construindo sua identidade pessoal. Na realidade esse é um dos processos principais dessa fase. Eles precisam descobrir quem são e isso vai afetar todas as áreas de suas vidas. Quando eles se envolvem intensamente num relacionamento romântico e sexual, eles podem deixar de se desenvolver positivamente e individualmente para manter esse relacionamento. Uma ruptura do relacionamento pode trazer consequências trágicas com comportamentos de risco como envolvimento com álcool, drogas, depressão e até suicídio.

Então o que Jesus disse para as multidões na Judéia faz sentido para nós(Mateus 19:4-6):

“Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’?Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe”.

Essa fala de Jesus nos mostra claramente que a união no sexo não apenas física. Ela tem implicações sentimentais, mentais e espirituais!

O Dr. Daniel Siegel é um cientista não religioso e suas pesquisas acabam comprovando o que a Escritura já dizia há milhares de anos atrás. Ele diz que uma adolescente de quase 20 anos deu uma sugestão para esse capítulo do seu livro: “Diga ao seu leitor para não se comprometer muito cedo. Se for para dar certo, dará.”

Aquele que tem ouvidos, ouça! Mateus 11:15

É Carnaval no Brasil…

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Foto: Jal Vieira    www.obaoba.com.br

 

Com um título bem parecido escrevi sobre o Carnaval nesse blog há alguns anos. Todos os anos o Carnaval é muito comemorado no Brasil e sempre chegam as perguntas: “Como falar sobre isso com nossos adolescentes e jovens?” ou “Pular Carnaval é pecado?” E eu sempre me pego pensando que se nossos adolescentes e jovens estivessem expostos aos perigos do Carnaval somente nesse feriado a coisa não seria tão ruim assim.

Antes que seja mal interpretada, explico meu pensamento. Infelizmente vivemos a cultura do Carnaval no Brasil durante os 365 dias do ano. Foi-se o tempo em que o Carnaval era o momento para as pessoas colocarem em prática todos os seus desejos reprimidos durante o ano. Vivemos imersos numa cultura hedonista cujo lema é o importante é ser feliz. Não é preciso esperar pelos dias de folia para fazer o que bem entender. Adolescentes e jovens estão constantemente expostos ao álcool, drogas, sexo fora do casamento e toda sorte de coisas do tipo!

Há também o argumento de que o Carnaval tem uma origem pagã (informação correta), mas muitas das nossas festas também tem origem pagã. Ou há uma base bíblica para celebrar aniversário e Ano Novo? E o que dizer da corrupção que assola o país e é amplamente divulgada em todos os meios de comunicação? Como explicar aos mais novos o termo “suruba seletiva” proferido pelo senador Romero Jucá ao se referir à proposta de referir o foro privilegiado? O famigerado programa BBB está em sua 17ª edição com tudo de ruim e errado que se possa imaginar. No Brasil é Carnaval todo dia…

Então não devemos nos importar com o Carnaval e está tudo bem? Claro que não! O Carnaval de rua voltou nas grandes cidades e adolescentes e jovens estão acompanhando os bloquinhos por aí correndo todos os riscos que o cérebro jovem não consegue prever. Em várias redes sociais bombou o relato da jovem que sofreu abuso e agressão num desses blocos em São Paulo. O Carnaval é uma época em que precisamos estar mais atentos, mas as novas gerações precisam dos nossos cuidados e das nossas atenções o ano todo.

Viver o Evangelho de Jesus Cristo é um desafio para nós e as novas gerações todos os dias.

“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada domine.
1 Coríntios 6:12

É Namoro ou Casamento?

Na terça-feira, dia 15 de maio, o ótimo programa “Profissão Repórter” abordou o tema: Casais Adolescentes: Como as Famílias Estão Lidando com a Sexualidade dos Jovens. O conteúdo mostrado daria uma série de posts e não apenas um, mas ao acessar o site dessa edição do dia 15 para rever  programa, o título imediatamente direcionou o assunto desse post.

Aviso: Assista ao programa antes de continuar lendo o post.

Dos mais diversos pontos de vista, há vários motivos para se pensar que alguma coisa está errada nesse título: Casais adolescentes têm vida de casados na casa dos pais. Ou não há? Do ponto de vista da sabedoria popular, há muito se diz que: Quem Casa Quer Casa, título de uma comédia escrita por Martins Fontes em 1845! E do ponto de vista do bom senso, vida de casados só no final de semana,  sem responsabilidades, sem despesas, sem roupa suja para lavar, sem super mercado para fazer é muita folga! Será que é por isso que  hoje encontramos adolescentes de 35 anos, que não querem assumir nenhum compromisso? Em sua coluna no jornal A Folha de São Paulo, a psicóloga Rosely Sayão, fala dessa falta de maturidade dos nossos jovens num texto intitulado Maduros Até a Página DoisEm um trecho desse texto, Rosely diz: “Nossos jovens precisam de nós, adultos. Precisam de nossa ajuda para amadurecer, para encontrar coragem na busca de boas soluções para seus problemas, para enfrentar um mundo que começam a descobrir com seu próprio olhar, para enfrentar as vicissitudes da vida. Só seremos boa companhia para eles nessa jornada se tivermos paciência para dialogar, conflitar, bancar junto a eles o lugar que logo ocuparão: o de adultos maduros que fazem escolhas e arcam com as consequências delas.”

E vejam que ainda nem citei o que a Bíblia, a base para os cristãos, tem a dizer sobre isso. E essa moda de ter “vida de casados na casa dos pais” vai contra o que a Bíblia nos ensina em seus primeiros capítulos: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.” Gênesis 2:24 . É preciso mais versículos ou esse já dá o assunto por encerrado? Ao assistir ao programa não pude deixar de pensar no pouco valor que se dá hoje ao casamento, na fragilidade das relações que deveriam ser eternas e nos jovens casais casados que se separam diante da primeira dificuldade. Qual é o limite entre namoro e casamento? Por que ter um casamento tempo integral se podemos ter um casamento de final de semana? Dá para entender a confusão na cabeça dessas novas gerações.

Se você tem algum tempo de ministério ou de convívio com adolescentes sabe muito bem que quanto maior o envolvimento deles no namoro, maiores serão as consequências, as feridas e os estragos quando esse namoro acabar. E não precisamos de nenhuma estatística para saber que os namoros adolescentes dificilmente chegam até o casamento. Na semana passada chegou até mim o caso de uma garota de 15 anos, que após o término de um namoro desse tipo “cama, mesa e banho”, tentou tirar a própria vida por 3 vezes.

É por isso que não dá para entender a postura dos pais que não sabem mais ser pais. Os pais que cedem à toda e qualquer pressão dos filhos em nome do amor que sentem por eles, sem perceber que com isso deixam seus filhos totalmente expostos à situações que eles não tem maturidade para encarar. Ao mesmo tempo eles impedem que seus filhos cresçam e se desenvolvam como adultos responsáveis e maduros. Há também os pais que oferecem todo o conforto que podem, como cama de casal e suíte, para que seus filhos não se sintam deslocados no contexto atual, criando os “adultescentes” que podem se acomodar e não aprenderem a andar sozinhos antes dos 40 anos.

Concluindo, o que mais me chamou a atenção na reportagem foi o quanto os pais estão perdidos e sem referências e quanto nós, igreja e líderes cristãos estamos deixando de agir como parceiros desses pais. Pois, como citei antes, até mesmo vozes do mundo secular se levantam e falam para ajudar esses pais confusos nessa tarefa de educar seus filhos. Mas nós cristãos, que deveríamos ser os primeiros a nos posicionar, a ensinar e instruir para fazer diferença, nos omitimos.

Por isso termino esse post com perguntas para:

Líderes: O que você, seu ministério ou sua igreja tem feito para trabalhar em parceria com as famílias dos adolescentes? 

e para Pais: O que vocês tem cobrado de apoio de sua igreja para a difícil tarefa de educar seus filhos adolescentes nos caminhos de Deus? Sua igreja tem investido no Ministério de Adolescentes, no Líder ou Pastor de Adolescentes?

 

Mas eu já transei… E agora?

Quando falamos de sexo para nossos adolescentes e jovens essa frase ou pensamento: “Mas eu já transei… e agora?” é cada vez mais freqüente na vida deles e nós, líderes, insistimos em fechar nossos olhos para essa triste realidade. Não estou querendo dizer com isso que não devemos abandonar os valores que a Palavra de Deus ensina sobre o sexo e que já citei em outro post:

  • Sexo foi criado por Deus e é bom, pois tudo o que Deus criou é bom. (1 Tm 4:4)
  • Sexo foi criado para ser feito entre um homem e uma mulher. (Gn 1:27:28)
  • Sexo foi criado para ser feito no casamento.  (Gn 2:24)
Mas é muito importante falarmos para os adolescentes e jovens que já praticaram ou estão praticando sexo e estão em nossas igrejas. Numa conversa com um amigo, um jovem líder de adolescentes, semana passada, ele me contou a estória de uma garota de 15 anos que havia deixado de freqüentar a igreja porque seu líder havia dito que era muito abençoado por ter se casado virgem e sua líder do pequeno grupo havia dito que Deus a estava abençoando porque ela estava se guardando para o casamento. Mas a garota não era mais virgem, não sentiu acolhimento algum em sua igreja ou no ministério de adolescentes e já que era um caso perdido, resolveu abandonar o grupo.
Foi então que comecei a me perguntar:
Quando é que nós (e me incluo nesse grupo) vamos começar a abrir nossos olhos para essa realidade? Quando é que vamos começar a acolher e cuidar desses adolescentes ao invés de colocar mais carga ou culpa sobre eles?
Toda vez que falamos de sexo para eles, os consideramos como folhas em branco, com experiência zero no assunto e lhes mostramos somente as regras do jogo, ou o Deus juiz.
Por que não mostramos a eles o Deus que João nos mostra em sua carta : “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 1:9? Eles precisam conhecer o Deus que perdoa todo tipo de pecado confessado, o Deus que acolhe e que nos torna puros para um recomeço.
Precisamos contar à eles a história de Davi, o homem segundo o coração de Deus, que além de fazer sexo com uma mulher casada e engravidá-la, tramou depois a morte do marido dela. Esse Davi, recebeu o perdão de Deus quando se arrependeu. Por que nos esquecemos de contar à eles essa história?
Por que quando falamos de sexo, não contamos a história de Jesus com a mulher adúltera em João 8:1-11? A lei condenava a mulher ao apedrejamento, mas Jesus a perdoa. Jesus dá à ela a chance de uma nova vida.
É isso que nossos adolescentes e jovens que entendem que erraram e que querem recomeçar no caminho certo na sua vida sexual precisam. Eles precisam do perdão, eles precisam da esperança de viver uma nova vida. Eles precisam da nossa ajuda e apoio e não da nossa condenação. Precisam de alguém que ande com eles para que eles não caiam de novo e para isso não podem se sentir julgados. Se Jesus os perdoou, quem somos nós para condená-los?
Quero deixar bem claro, que não estou de maneira nenhuma sequer sugerindo que sejamos coniventes com o pecado, mas sim que acolhamos aqueles que pecaram nessa área da vida e que estão arrependidos e querem a chance de recomeçar. Fazemos isso em tantas outras áreas, mas quando o assunto é sexo existe um grande tabu para o perdão, para o acolhimento e para o recomeço.
Temos que mostrar aos nossos adolescentes e jovens que Deus odeia o pecado, mas os ama muito e quer ter um relacionamento com eles. E é esse Deus que está pronto para perdoá-los e lhes dar uma nova chance.